Fotballkveld

O Brasil é o país do futebol, goste ou não, e não temos como discordar disso. Existe casos, escassos, de brasileiros que não gostem de futebol,  mas acredito que 93,7% da população brasileira entenda minimanente de futebol. Dentro desse valor tem os fanáticos, os que gostam bastante, os que acham que entendem muitos, e os que sabem quando gritar gol pro time certo. Esses números se referem à jogos nacionais: campeonatos estaduais e o Brasileirão. Quando falamos em Copa da Mundo esse numero só não vira 100% porque temos índios isolados na floresta amazônica.

Eu gosto de pensar sobre mim como uma mistura dos que acham que entendem com os que gostam bastante. Cresci numa família carioca e, como não podia ser diferente, flamenguista. Pai, um irmão, 3 tios e 3 tias, avó (em memória), muitos primos e primas, e agora já filhos de primos, todos flamenguistas. Foram muitos almoços de domingo passados com uniforme em frente a televisão. Quando não era na televisão era no Maracanã. Não foram tantas vezes assim no estádio, mas quem já assistiu algum jogo ao vivo sabe a emoção que é ouvir a torcida cantar e incentivar o time, e principalmente, gritar gol. E no caso do Flamengo, ser campeão estadual e brasileiro. (MENGO!) Certas coisas não tem como descrever da mesma forma que podemos sentir.

Mesmo assim, nunca me ví como fanática, e conforme fui ficando mais velha  com mais idade, deixei de acompanhar mais de perto o clube e os jogos. Acompanhava mais através do meu pai e do meu irmão quando comentavam algo sobre o time, ou quando era algum jogo importante ou decisivo.  E foi ficando por isso mesmo, tanto que nunca assisti um jogo no Maracanã novo e não tenho mais certeza quem é o técnico ou dizer o nome de algum jogador que não seja o Leo Moura.

Aqui estou eu, longe de tudo, e sentindo falta de um joguinho, de torcer por alguém… Nunca me dei conta de o quanto futebol pode ser legal além do seu time e da questão da família. E ontem me peguei assistindo a um jogo do Brann, o time local de Bergen, e um dos maiores da Noruega. Assisti os 90 min, torcendo como se fosse o Flamengo. Faltam dois jogos para o fim da temporada e o Braan precisa ganhar para não ser rebaixado. Sei bem como é esse sentimento.

Vale lembrar, antes de tudo, que o Brann é um time da Noruega, que nunca se destacou pelo desempenho com a bola. Coloca junto disso o fato do Brann nunca ter sido um time de destaque e que só ganhou o campeonato uma única vez, em 2007.  Se você esta cansado de como os brasileiros tem jogado uma partida aí no Brasil é só assistir um partida aqui que você vai mudar de ideia. É diferente assistir um jogo aqui: o ritmo e as jogadas… a gente tem um padrão de futebol bem diferente. E fora que ainda tenho que aprender como são alguma palavras em norueguês como impedimento, penalti, falta… mas o principal eu já sei “Mål” é gol. Não foram muitos do Brann até agora, mas…

Quem não tem Flamengo, torce pro Brann, que pelo menos é vermelho também, mas um vermelho mais América do que rubro. E assim eu mato um pouco a saudade dos jogos, da família e de torcer.

Brann Logo

 

 

 

Anúncios
Vídeo

På TV

Eu assisto muita televisão, eu confesso. Eu sou dessas que fazem tudo com a televisão ligada, quando chego em casa é umas das primeiras coisas que faço. Era assim no Brasil e não está sendo diferente aqui na Noruega. My guilt pleasure.

Minha sorte é que, como tudo mundo fala inglês, tem muitos programas de língua inglesa e nada é dublado. Claro que estou falando de TV a cabo. Tenho um pacote básico, com não muitos canais, e acho que uns 4 são de conteúdo nacional, o resto é gringo, sendo apenas um em sueco e o resto em inglês. O que mais passa aqui é reality show: Idol, The Voice, Master Chef Norge e mais um monte que ou eles “copiaram” ou criaram. Outra coisa que eles adoram são os reality de leilão, como Storage Wars, Storege Huntes, Container Wars e outros, além dos Pawn Shops: Las Vegas, Detroid Louisiana. E, não entendi muito bem como isso acontece mas, How I Meet You Mother, passa todo dias, em dois canais diferentes. É o “friends” deles. E aqui temos Discovery Channel, History e TLC, como os mesmos programas que passam no Brasil. Não é que a gente sinta falta, mas é estranho chegar em casa na hora do almoço e não ter o RJTV ou de noite não ter novela (o Bjørn sente falta), mas é uma maravilha não ter Faustão no domingo! Ah, e fim de semana! Principalmente sábado de manhã é uma falta de criatividade dos progamadores, passam em sequencia 4 à 5 episódios da mesma série. Em quase todos os canais é a mesma coisa, como as maratonas da Warner, mas em todos os canais. Então apesar de estar aqui, a televisão e os programas são bem parecidos.

Mas o motivo desse post, são os comerciais. É claro que tem monte que eu não entendo, mas que você pega a ideia e acha muito irado. Confesso que a maioria é bem meia bomba, como músicas fracas e sem muito apelos, mas esses me fizeram parar para ver e re ver e publicar aqui. Separei quatro que acho fantásticos. Divirtam-se!

Um dos meus favoritos é sobre a promoção de fraldas de um supermercado: a quarta sai de graça. Quem ia imaginar fazer um promoção de fralda com crianças gangster style?

 

O segundo é de um site de classificados. Eles que é tão fácil publicar ou achar coisas que até um gato faz, e essa gato é o mascote de todas e diferentes propagandas. Nessa o gato quer fugir comprando uma passagem de avião adivinha pra onde?

O terceiro é de uma loja de utilidades. É uma das maiores aqui e eles tem de tudo. O que fazer quando uma lâmpada queima? É simples, mas você fica com a música na cabeça o resto do dia.

O último é genial. É um sueco, o que faz ser mais engraçado, comprando é como se ele fosse argentino, que fica dando ideia errada, como aquela vozinha chata. É um anuncio de yogurt e ele fala pra você matar a sua fome. Divirtam-se.

 

Imagem

Quando em Roma…

Fjellstur, ou passeio pela montanha, é o que se faz aqui. É o que se tem pra fazer aqui. Infinitamente. É como a praia: todo mundo vai. O gordinho e o sarado, a criança e o vovô, o cachorro e o papagaio… Tanto que, uma amiga que queria uma lembrança da cidade, não pensou em nada mais que fosse a cara daqui do que roupas de esporte. Nesse nível.

O povo aqui é tão aficionado por trilha que existem guias, como o “7 Fjellsturen“, ou o passeio das 7 montanhas. São 25km de subida e descida. Ah, e muita natureza. Pra quem acha que 7 é muita coisa, pode escolher a opção menor, com apenas 4 montanhas.

7Fjellsturen_1

E são muitas as opções de trilha aqui. Acho que não tem um número oficial, mas faz a contas: são basicamente “7 montanhas” (que na verdade são 12). As principais são pontos turísticos e por isso possuem vias principais de subida; a partir delas temos as trilhas menores e depois inúmeras ramificações por dentro da floresta. Além de variar o caminho, varia também o grau de dificuldade. Mas trilha é trilha: sempre tem a parte que sobe.

Então, quando em Roma…

Bjørn e eu fomos subir o morro fazer a trilha que tem aqui perto de casa. É por dentro de uma fazenda que se chama Fjørdanger Hovdgård. Você começa o passeio por entre as ovelhas e cabras, passando pelo Kurt e Erna, os porquinhos, e depois galinhas e cavalos. Estamos sempre escolhendo o por onde vamos seguir, pois além das constantes bifurcações, sempre vemos caminhos que vão por dentro da floresta. Bjørn, sendo um aventureiro nato, sempre escolhe esses caminhos. E lá vou eu por dentro do mato, pisando na lama, escorregando no cascalho, pulando galho, pensando que se a gente se perder vai demorar uns bons quatro dias até alguém nos achar… mas continuamos subindo, trabalhando coxas e glúteos e, apesar de não suar, porque está 10 graus, a respiração fica ofegante e você quase pode dizer que está com calor. E quando a falta de ar é tanta que não se consegue falar e você acha que aquela gota de suor está prestes a escorrer na sua testa, dois locais passam na sua frente. Correndo. Conversando. Como se isso fosse normal, como se eles subissem esse morrinho todo dia. É isso! Eles sobem. Aí você abre caminho e deixa os experientes passarem.

Nós fomos nessa trilha duas vezes, por caminhos diferentes e sempre tenho essa sensação: primeiro de que estou seguindo um caminho novo, ou subindo por um lugar difícil, aí vem alguém esfregar a realidade na minha cara. Mas, calma que esse é apenas o início do meu segundo mês aqui. Promessa de fazer o passeio das 7 montanhas no ano que vem! Ou Desafio?

Para ver mais fotos é só clicar em Pictures ali do lado.

kurterna       Processed with VSCOcam with m3 preset         Photo 09-10-14 09 03 15       Processed with VSCOcam with b1 preset

      

Vídeo

O dia mais feliz da minha vida.

E como eu vim morar com um norueguês na Noruega, uma das exigências do meu pai era que nós nos casássemos antes de virmos, precisávamos casar oficialmente (já moravamos juntos fazia dois anos) para facilitar o processo de imigração. E esse dia foi um dos mais felizes da minha vida. Não porque estávamos casando, não porque esse dia simbolizaria o início da nossa família e muito menos porque estávamos formalizando nossa promessa de amor eterno. Tudo isso já existia e acredito que todos nossos amigos e familiares já sabiam disso. Vou tentar explicar porque esse dia foi tão especial.

Bjørn arrumou um trabalho na Noruega, yada yada yada, e em dois meses a gente estava com quatro malas e cuia dentro do avião. Nesses 60 dias tivemos que correr contra o tempo para juntar um monte papelada, e dinheiro, para dar entrar com o pedido de casamento no cartório. Confesso que fiquei muito frustrada com a forma que tudo estava acontecendo. Te dou um dado? 73% das mulheres sonham com sua festa de casamento. Dentre essas, 93% sonham com a festa de casamento desde o dia em que foram, de fato, pedidas em casamento. Eu, fazendo parte dessa estatística, já tive pensado e repensando aonde queria me casar, quem eu ia convidar, como ia ser meu vestido, a decoração… Com apenas dois meses pra planejar, eu sabia que não ia poder ter nada disso. Pelo tempo e pelo dinheiro. Precisávamos pagar rescisão de contrato de aluguel, passagens de avião, o casamento no cartório, inúmeros documentos que precisavam ser traduzidos oficialmente… qualquer gasto extra era impensável. Até a lua de mel seria adiada.

O que eu ainda não contei, eu acho, é que o noivo já estava na Noruega, e que ia voltar só por dois motivos:  1) claro, pra casar comigo; 2) Para o casamento do irmão dele, no qual seríamos padrinho e madrinha. Com pouco tempo de trabalho, ele não poderia tirar muitos dias de folga pra vir fazer tudo isso. Ou seja, ele chegava na quinta a noite, assinaríamos os papéis no cartório na sexta de manhã e no sábado seria o casamento do irmão dele e, finalmente domingo, embarcaríamos rumo à Escandinávia.

Teimosa e orgulhosa como sou, decidi que então não teria nada também. Não dava pra ser do jeito que eu queria comemorar, então Bjørn ia ficar me devendo um festa bem linda depois, com todos os meus amigos, um vestido bem caro e tudo mais que eu quisesse. Com latas atrás do carro e lua de mel!

E assim começa a história do dia mais feliz da minha vida.

Minhas super amigas com visão além do alcance, me encurralaram num canto e decidiram que iam fazer alguma coisa pra gente e para eu para com essa babaquice bobeira de não querer ter festa. Afinal de contas elas também queriam se despedir da gente e de participar desse dia.

Foram necessárias algumas sessões de terapia até eu aceitar que eu ia ter uma festa de casamento, que não seria do jeito que eu tanto sonhei, e que eu não ia poder fazer nada do jeito que eu queria… depois de muito espernear eu aceitei no meu coração.

E foi lindo. Todo mundo ajudou, cada um fez um pouco aqui e um pouco ali e ficou igual aqueles casamentos em casa que você vê nas revistas. E foi assim que eu me senti: como se meu casamento tivesse saído da revista. Eu adoro dizer isso, mas é verdade, veio gente do mundo todo. Veio até gente da África. E acho que chorei mais quando vi um dos meu melhores amigos ali na porta do cartório, vindo diretamente de Nova York, só pro casamento do que de fato no casamento. E a festa durou oito horas: teve cerimônia, teve flores, teve buquet, teve bolo, teve lembrancinha, teve Paçoquita, teve Polaroid, teve garçom que também era cinegrafista e filmou a cerimônia… mas não, infelizmente não pude chamar todo mundo que eu queria, mas de alguma forma, foi tudo… PERFEITO.

Antes que eu fique mil horas falando de como tudo foi lindo e maravilhoso, tem uma pequena amostra aqui.


Since I was coming to live with a Norwegian in Norway, we needed to officially marry (because we were already living together for the past two years) for the immigration process. And that day was one of the happiest of my life. Not because we were getting married, not because that day symbolizes the beginning of our family and a lot less because we were formalizing our promise of eternal love. All this was already there and I believe that all our friends and family knew that. I’ll try to explain why this day was so special.

Bjørn got a job in Norway, yada yada yada, and in two months we were inside the aircraft. In those 60 days we had to race against time to put together a lot paperwork, and money, really get married. I confess I was very frustrated with how everything was happening. Scientific research says that 73% of women dream about their wedding party. Among these, 93% dream of a wedding party since the day they were in fact proposed. I wasn’t any different. I had been thinking about where I wanted to marry, who I was going to invite, how would be my dress, the decor … With only two months ahead to plan, I knew it would not be able to have any of that. We had to save money because of the moving … any extra expense was unthinkable. Even the honeymoon would be delayed.

What I have not told you is that the groom was already in Norway, and would return only for two reasons: to marry me and for his brother’s wedding, which we would be godparents. Being new at work, he could not take many days off. So he arrived Thursday night, we would sing the papers on Friday morning and on Saturday was the brother’s wedding and finally, Sunday  we would fly towards Scandinavia.

Stubborn and proud as I am, I decided that I should not have anything. If it could not be the way I wanted to celebrate, then it wouldn’t. Bjørn would owe me a very beautiful party later with all my friends, a very expensive dress and everything else I wanted. With cans behind the car and a honeymoon!

And so begins the story of the happiest day of my life.

My super friends, cornered me and decided they were going to do something for us and it was for me to stop being silly about  not wanting to have a party. After all, they also wanted to say goodbye and be part of that day.

Few sessions of therapy were necessary until I accept that I was going to have a wedding party, and it would not be the way I dreamed so much about, and I was not going to do anything the way I wanted.

And it was beautiful. Amazing. Everyone helped, everyone helped a little here and a little there and it looked like those weddings at home you see in magazines. And that was how I felt: as if my marriage was on the magazine. I love to say it, because it’s true, people came from all over the world. There were people coming from Africa. And I think I cried more when I saw one of my best friends, coming directly from New York just for the wedding than the actual marriage. And the party lasted eight hours: it had a ceremony, flowers, a bouquet, cake, souvenirs, Paçoquita, Polaroid, and a waiter who was also a videomaker and filmed the ceremony … but no, unfortunately, I could not invite everyone I wanted, but somehow, everything was … PERFECT.

Enought with the writing, here it is small sample here.

Bergen, Noruega.

Bergen é a segunda maior cidade da Noruega, ficando atrás somente da capital, Oslo. É daqui que se começa uma viagem por entre os Fiordes, o que torna a cidade um centro turístico com gente de todo o canto do mundo. Não é nenhuma Nova York mas você escuta muitas línguas diferentes caminhando pelo famoso Fisktorget, ou o Mercado de Peixe, no centro da cidade.

Foi oficialmente fundada em 1070 AC. Cada canto da cidade é cheio de história e muitas das fachadas originais foram mantidas. Umas das atrações principais é o Bryggen, lindas casinhas de madeira na beira da baía, que se tornaram patrimônio da humanidade em 1979.

Brygge

Brygge

A cidade é cercada pelo mar e por montanhas. Sete Montanhas como eles chamam, mas que na verdade são mais, onze no total, e as mais famosas são o Fløyen e Ulriken. E talvez por esse motivo, as pessoas de Bergen AMAM fazer uma trilha. Tudo aqui é trilha. Esse é o principal hobby de todo mundo. Você coloca seu tênis especial, sua roupa de ginástica, seu casaco corta vento e vai. E na maioria das vezes, vai correndo. E não importa se está sol ou não, mesmo porque aqui chove muito. Chove tanto que quando você procura Google ele fala que aqui é a cidade que mais chove no mundo. E quando neva o pessoal aproveita e faz cross-country. Eles gostam muito de exercício ao ar livre.

Claro que nem só de exercício vivem os “berguenses”. A cidade é um polo cultural e você pode encontrar um pouco de tudo: shows (principalmente de música clássica e de blackmetal), exposições, festivais de cinema, peças de teatro… E muitos desses e outros eventos acontecem ao ar livre, na Festplassen, um linda praça com um grande lago no centro da cidade. É aqui que eles comemoram o 17 de Maio, o dia da independência.

Festplassen

Festplasse

E pra quem gosta da noite, Bergen também é uma boa pedida. Por ser uma cidade universitária você encontra muitos bares e boates lotados de estudantes bêbados. Até agora posso dizer que temos dois lugares favoritos. Garage que é um bar/casa de shows de rock. Um Emporio maior e, sempre dá pra ser, melhor. Apollon uma loja de discos/café super moderna e aconchegante, com muita variedade de disco, vinis (punk/indie/black metal) e cerveja.

Com o tempo vou contando mais dos novos lugares, das novas trilhas e dos próximos eventos.

Por que a Noruega?

Em um mês minha vida mudou. Meu marido arrumou um trabalho na Noruega e em trinta dias ele já estava lá. No caso aqui. E em quatro semanas a gente desmontou um apartamento, vendemos todas as nossas coisas e eu voltei a morar com meus pais enquanto ele já trabalhava e montava um novo apartamento.

É claro existem muitas entre-linhas nesse esse primeiro parágrafo. Houveram muitas perguntas, muitas emoções muitos questionamentos. Dentro dessas quatro linhas ainda teve dois casamentos, muitas despedidas, muito chororô, mas, incrivelmente, quase nenhuma dúvida de que era isso que devíamos fazer.

Por que a Noruega? A Noruega nunca foi o primeiro país da lista de países que eu escolheria morar. Acho até que ela não entraria na lista dos cinco primeiros. Vir para cá nunca foi um sonho meu. Meu marido, um brasileiro chamado Bjørn, é na verdade meio norueguês por parte de pai, que nunca teve a oportunidade de aprender a língua ou de experienciar a vida nesse país nórdico. Com o passar do tempo, esse desejo de viver tudo isso foi crenscendo e ficando maior que ele (e ele é bem grande). Então, depois de mais de 8 anos juntos, eu sempre soube que em algum momento eu acabaria aqui, mas a gente sempre acha que esse dia está mais longe do que ele realmente está.

Eu acompanhei de perto todas as tentativas frustradas de vir para cá: seja para estudar, seja para trabalhar, seja para fazer qualquer coisa. Cada uma que não dava certo era um suspiro maior para mim, mas era um pedacinho dele que falhava. Era muito difícil lidar com minhas emoções opostas. Sempre vou lembrar de mais uma vaga que ele aplicou, e de mais um momento de espera que passamos. Só que dessa vez era “a” vez. E a sensação é a e que um segundo passou desde que ele aplicou, e entrevistas via skype, e telefonemas em inglês até a conversa no sofá: ”a vaga é minha e querem que eu começe em 15 dias.” Desse dia para hoje foram três meses, mas ainda parece ontem.

Nessa tempo a gente casou, o irmão dele casou, minha irmã está grávida, tive a certeza de que meus amigos são os melhores do mundo e que meu pais são uns santos e o amor deles é incondicional.

E agora eu estou aqui. Tenho que aprender a língua (já terminei o básico 1), tenho que aplicar para o visto, e enquanto isso, que pode levar até nove meses, não posso trabalhar nem sair do país. Portanto, vou ter muita coisa para contar sobre como é a vida, a comida, as pessoas e os lugares daqui.

Então, pra dar uma palhinha, estamos há um mês em Bergen, a segunda maior cidade daqui.

Uma das famosas atrações de Bergen.

Fløibanen: uma das famosas atrações de Bergen.

Castelo do Rei

Gamlehaugen: castelo de férias do Rei.

My life changed in a month. My husband got a job in Norway and in thirty days he was there. He was here, to be accurate. And in four weeks we took apart an apartment, sold all our stuff and I went back to live with my parents while he was working and seting up a new apartment. 

Of course there are many inter-row between that first paragraph. There were many questions, many emotions and many doubts. Within these four lines there was had two marriages, many goodbyes, lots of tears, but actually, no doubt that this was what we had to do. 

Why Norway? Norway has never been the first country from my list of countries that I would choose to live. I don’t even think that it would make to the top five. Coming here was never my dream. My husband, a brazilian called Bjørn, is actually half  norwegian because of his father, who never had the opportunity to learn the language or experience life in this Nordic country. Over time, his desire to live that was getting bigger and bigger. So, after more than eight years together, I always knew that, at some point, I would end up here, but we always think that this day is way more far than it really is. 

I closely followed all the frustrated attempts of coming here: to study, to work or to do anything as a matter of fact. Every one that did not work was one more gasp of breath for me, but it was a bit of of him that failed. It was very difficult to deal with my opposite emotions. I will always remember this one more job he applied, and one more time we spent waiting. Only this time it was “the” job. And the feeling like a second passed since he applied, and had interviews via skype, and phone calls in English until came the conversation on the couch: “I got the job and they want me to start in 15 days”. From that day to today, it has been three months already, but still seem like it was yesterday.

At that time we married, his brother married, my sister got pregnant, I realize my friends are the best in the world and that my parents are about saints and their love is unconditional. 

And now I’m here. I have to learn the language (already finished the basic one), I have to apply for the visa, and it can take up to nine months, meanwhile, I can’t work or leave the country. Therefore, I will have a lot to tell about the life, the food, the people and places to visit here.

So, to give you something to look for, we’ve been living for a month in Bergen, the second largest city in Norway.