Penso, logo escrevo.

Eu não sou jornalista e escrever para mim é difícil. Nunca foi fácil. Escrever redações, em qualquer época, era o pior castigo. Ficar sentada, “presa” nunca cadeira desconfortável, pensando num tema, quase sempre escroto, politicamente correto, dentro de quatro parágrafos – introdução, argumentação, contra-argumentação e conclusão- nunca foi minha ideia de diversão. Era o professor falar “valendo” que minha cabeça virava um branco ou a paleta da pantone. E quando finalmente acabava não tinha tempo, ou paciência, de reler nada. Acho que nunca tirei 8,0 numa redação. Pra falar a verdade nunca devo ter tirado mais do que 7,0. Meu amigos sabem porque. Eu gosto de dizer que é porque tenho dificuldade em organizar ideias, mas a verdade é que, também, meu português é bem fraco.

Escrever talvez tenha ficado mais difícil depois de anos trabalhando como editora de vídeo e “escrevendo” apenas através das imagens. Pode me dar quantas horas forem de entrevistas que às transformo numa narrativa impecável, mas não me peça para usar palavras para contar uma história. Tenho dificuldade de escrever roteiros do zero, não por causa da história, mas por conta dos diálogos. Acho que nunca seria capaz de criar um diálogo que ao menos parecesse realista, nem com os melhores atores atuando.

Então, manter um blog requer muito de mim. Planejar, escrever, ler, corrigir, reler… é exigir muito de uma pessoa ansiosa e inquieta que se cansa e enjoa logo das coisas. Por isso muitas vezes os erros ficam por aqui. Porque eu não escrevo pensando no que estou escrevendo. Meu cérebro vai ditando as palavras e meus dedos nem sempre conseguem acompanhar a velocidade ou a coerência do meu raciocínio. Mas aí você vai dizer – “e o corretor?” Corretor corrige palavras e não concordância, né? Mas sem dúvidas está sendo um exercício e a prática está me ajudando.

Divido tudo isso porque percebi que meus textos são melhores quando brotam de mim, quando não são porque precisam ser, mas sim quando querem ser. É melhor quando escrevo o que sinto e não o que quero. Faz tempo que quero escrever sobre os muitos festivais que vão acontecer por aqui, mas por enquanto só sai que escrever é um desafio. Quando sento para escrever sobre qualquer outra coisa, os sinônimos somem e ficam apenas uma frase resumida do que gostaria de dizer. Enquanto isso, tenham paciência e aguardem, prometo pelo menos textos mais divertidos de ler do que mais informativos.


*Editado*

A maravilha de escrever, seja o que quero ou o que tenho vontade, é poder dividir. Eu divido com vocês e vocês compartilham comigo. E numa dessas trocas, descobri que sou escrevista e não poderia estar mais satisfeita. Minha amiga Mirna compartilhou o incrível texto da Eliane Brum que fala, acima de tudo, sobre o olhar e uma certa miopia que adquirimos ao longo dos anos. E nele conta que sua afilhada que ser escrevista quando crescer. Esclareço para Eliane Brum que mesmo que Catarina não venha ser escrevista, ele sempre poderá ser uma.

B ❤ G

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Um comentário sobre “Penso, logo escrevo.

  1. Boulinha disse:

    gabi, eu te entendo perfeitamente. eu escrevo como falo. A nossa diferença é que meu trabalho exige boa escrita, então eu tenho ainda muito que aprender hehehe.
    e pra falar? minha boca não acompanha meu raciocínio e nem minha ansiedade. um desastre total tb huhauhaua

    beijo beijo!

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