E voltamos a programação normal

Depois de qualquer coisa que faço, gosto de parar e pensar um pouco em como tudo foi feito. Na verdade eu sempre gosto de pensar de mais nas coisas, às vezes ajuda, às vezes não. Na maioria das vezes ajuda.

A primeira coisa que me veio a cabeça foi que vir para Noruega é bem parecido com ouvir música experimental pela a primeira vez: no começo você não entende muita coisa, não sabe do que se trata e se sente um pouco sozinha num meio inóspito. Porém a partir do momento em que você abre seu coração, você começa ver a beleza, entender os sons, como funciona e cria coragem de conversar com outras pessoas. Tá certo que você ainda não entende tudo, mas já entende muito mais do que quando começou.

Adoro criar metáforas pra minha vida e relativizar as coisas me ajuda a desenvolver. E não estou muito certa se acreditar que nada acontece por acaso é desenvolvimento ou aceitação, mas acho que não poderia ter tido minha primeira experiência de trabalho em outro lugar.

Eu não estava lá salvando vidas, nem era indispensável, mas sei que ajudei. Penso que as vezes podia ter ajudado mais, mas também faz parte do aprendizado dar o que se pode e aceitar que as vezes é isso que temos. Digo, estava lá quando precisava, e se não estava, a vida continuava.

Pwhmobs

entrevista com part wild horses on both sides

 

Fui muito bem recebida por todos e, quando no olho do furacão, ninguém gritou comigo ou me tratou com desrespeito ou grosseria – fica a dica Brasil! Aliás, fica a dica também de que como em qualquer lugar, nem sempre acontece tudo como esperado. Linhas aéreas entram em greve, camisetas são impressas erradas e ninguém nota até dois dias antes, artistas mudam plano de palco e cortam na metade o número de ingresso, outros aumentam o show e atrasam o próximo, voluntários não aparecem e espectadores aparecem em peso e criam uma fila de meia hora. E ninguém grita. Tem um choro, de nervoso e de tensão, aqui e acolá, até uma conversa mais séria, mas ninguém morre.

Tomoko Sauvage

Tomoko Sauvage preparando sua performance

 

E conheci muita gente, da Espanha, da África do Sul, da Holanda, de Portugal… e também pude aprender um pouco de norueguês e ensinar um pouco de português. Conheci lugares de Bergen que talvez fosse demorar mais de um ano para conhecer. Tudo porque me arrisquei, tentei e fiz um bom trabalho.

E além de trabalhar aqui, posso dizer que trabalhei aí no Brasil também. O festival me inspirou e escrevi um artigo para a revista dO Cluster, que já tinha mais de uma mês que era pra ter entregue algo, mas nada saía.

Revista O Cluster

 

Então, se fosse dar alguma dica, diria “abra seu sua mente e coração para aquilo que você não conhece”. No final, você pode até não gostar, mas no caminho você vai aprender e quem sabe fazer amizades. Não reclame antes, não julgue antes. E nem depois, porque a verdade é que você pode ter uma opinião contrária sem fazer nenhuma dessas coisas.

Mudar de país, de casa, de namorado (a), de trabalho, de profissão, mudar de qualquer coisa: no começo é difícil, a gente não consegue ver além, mas sempre se aprende. E no final pode até nem ser melhor do que antes, mas se por algum motivo você precisou mudar é que antes também não era muito bom. Uma vez o compositor Marcelo Yuka falou que a paz não é o lugar, mas o caminho. Eu acredito que a felicidade também. Você não vai ser feliz num lugar lá na frente. Você vai achar a felicidade no caminho.

E com o fim do festival, voltamos a nossa programação normal de nada pra fazer, mas muita coisa pra explorar.

 

 

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2 comentários sobre “E voltamos a programação normal

  1. Eliana Sa Barretto disse:

    Gaby gostei de ver como você amadureceu e está cada dia escrevendo melhor…
    Você tem toda razão a felicidade está aqui e agora e não lá na frente pois ainda não chegou!
    Explorar terras novas e povos novos com um olhar positivo é muito bom e ajuda a nos acomodarmos
    em todos os lugares e vocês são novos…se amam… e tudo pode ser positivo.
    Sei que logo, logo você vai estar pronta para trabalhar e começar sua vida profissional.
    Daqui a pouco a “sogra” tá aí!!!
    Bjss

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