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Querida Oslo – Parte 1

Sem trabalho e sem visto minhas opções de férias de verão ficaram bem reduzidas, mas não posso reclamar porque tirar férias é luxo para quem tem trabalho e  visto. Dito isso, nosso destino, quase único, foi seguir em direção a Oslo, capital norueguesa, para ficar na casa de parentes.

Depois de um ano morando numa cidade com um pouco mais de 250 mil habitantes, chegar em Oslo é parecido com sair de São José dos Campos, interior de SP, em  direção à São Paulo, capital: é bom mas é ruim. É bom porque de repente você vê um monte de gente diferente numa cidade enorme, mas é ruim porque é gente demais numa cidade que nunca termina.  Vale lembrar que Oslo tem, aproximadamente, 620 mil habitantes – ainda bem longe de Copacabana.

Oslo

Oslo

Com uma cidade tão grande assim, só mesmo dividindo o post em duas partes para pode contar tudo o que aconteceu por lá. Nada muito espetacular, mas muita coisa diferente daqui de Bergen. Vou começar falando de Oslo e pra deixar com água na boca, deixo o segundo post para falar, aí sim, das minhas lindas férias de verão Norueguês, com direito a muito sol, num lugar maravilhoso chamado Fagerstrand.

Vou te contar que Oslo, tirando os noruegueses, é muito parecida com todas as cidades européia, eu imagino. Na Europa só fui pra Espanha, mas estou assumindo que Buenos Aires é parecido com muitas cidades européias, pois é o que eu escuto falar. Arquitetonicamente falando, Oslo “modernizou-se” bem mais que Bergen, e, apesar de ainda ser possível ver algumas casas de madeira, vemos muitos mais prédios baixos com varandas, bem característico da Europa.

Em 2012 visitei Oslo pela primeira vez. Foram poucos dias no meio das chuvas e dos dias cinzas de Novembro, quando só nós, os turistas, nos aventuramos a ficar na rua. Nunca imaginei encontrar outra cidade no verão. Além das ruas cheias, bem mais cheias que três anos atrás, vemos o comércio aberto com seus produtos de lado de fora e aberto até mais tarde; feiras de todos os tipos; pessoas pegando sol no jardim; cachorros passeando; sorvetes; óculos de sol; calor e suor.

Vigelandpark

Vigelandparken

Com tanto sol, dessa vez não tive desculpa de não visitar o Vigelandsparken, ou Parque Vigeland. É um parque GIGANTESCO (320.000m²), construído por Gustav Vigeland, que é mais conhecido por suas, também grandes, esculturas.

Vou te dizer que é um dos parques mais lindos que já vi na vida. Tá, eu nunca fui no Versailles, mas ainda assim, é lindo de mais. E nem tivemos tempo de aproveitar todo o parque, de ver todo o gramado, ou de ver as exposições e outros eventos que eles organizam. Só ficamos por entre das esculturas e só isso foi suficiente para me apaixonar. Passei uns bons minutos tirando muitas fotos!

Vigelandparken

Vigelandparken

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Outra parte que gostei muito foi a região de Grunnerløkka a área hipster de Oslo. Mas de fato, lá tem um clima meio Brooklyn ou até St. Market Place, em Nova York, com suas lojinhas vintage e seus cafés chiques. Além das praças e feirinhas. Tem como não amar? Um dica, ou melhor, duas dicas de onde comer ficam nessa área:

Ostebutikken

Ostebutikken

A primeira é um bistrô MARA e SENSA chamado Ostebutikken, ou loja de queijos, onde almoçamos uns mariscos deliciosos. Cheio de personalidade e queijos, deixa você com vontade de ficar lá o dia todo experimentando tudo o que eles servem.

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Mais se você é mais ogro a dica é o Munchies, uma hamburgueria sem meias palavras. Nada de gourmet por aqui a não ser o gosto dos sanduíches. São seis opções de hamburguer, sendo um vegetariano, podendo incluir ingredientes extras e batatas fritas – fritas à perfeição – e uma longa lista de cervejas para acompanhar. Do que mais você precisa?

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Família comendo no Munchies

Aproveitando ainda nossa passagem por Oslo, não podemos deixar de ir no Øyafestivalen um dos maiores festival de verão daqui, com 4 dias de shows e mais de 280 bandas. Além de muitas  bandas internacionais famosas – vi Belle & Sebastian mais uma vez!!! – o festival é conhecido por dar espaço para banda locais, o que é bem legal!

Bilheteria do Øya 2015

Bilheteria do Øya 2015

Há dois anos o festival acontece no lindo “Tøyenparken” – outro parque, e conta com 4 palcos super bem posicionados, fazendo com que pareçam uma arena. Eles ainda oferecem água de graça e pontos de reciclagem!  Quem já foi em Rock in Rio sabe bem a vantagem de água de graça e do mar de garrafas que fica perto dos palcos. No Øya é tudo limpinho! Organização incrível!

Palco "Amfiet"

Palco “Amfiet”

E teve mais um monte de café e sobremesas que nem dá pra colocar tudo aqui se não ia virar a história sem fim! Isso porque de 12 dias, só ficamos 4 em Oslo, o resto ficamos num paraíso chamado Fagerstrand, na casa de campo da família. Só pra deixar uma água na boca, fica aqui uma foto de como eram nossos finais de tarde.

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Pôr-do-sol em Fagerstrand

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Road trip para Voss e Eidfjord

“Bergen é a porta de entrada dos fiordes noruegueses” é o que vai te dizer todos os guias. De fato é daqui que partem muitos barcos e cruzeiros navegando em busca das grandes montanhas de gelo. Outra opção para conhecer os fiordes  é uma viagem muito conhecida dos turista, Noruega numa Casca de Noz,  que você pode escolher sair de trem de Bergen até Voss e depois um ônibus até Gudvangen e aí o cruzeiro até Flåm ( no site você pode escolher e montar muitas opções).

ROAD TRIP

Road Trip

Road Trip

 

Meus pais fizeram essa opção indo até Oslo, e apesar do frio, acharam tudo muito lindo. Por isso decidimos alugar um carro, que é muito em conta por aqui, e dirigir até Voss.  A sensação é de fazer Rio – Petrópolis: 90 minutos de lindas paisagem mas sem as inúmeras curvas.

 

Voss

Voss

Voss

Voss

 

VOSS

Voss é uma cidade bem pequena, micro até, e o que mais tem para fazer são atividades ao céu aberto como rafting, caiaque, parapente e claro esquiar. E é lá que fica também a Voss Brygerri, a micro cervejaria local, deliciosa by the way.

 

Treino de parapente.

Voss – Treino de parapente.

 

Confesso que nada foi planejado e como nunca tinha ido, fiquei perdida sem saber o que fazer e só ficamos de turistas, passeando e tirando fotos. Vale acrescentar que o mundo é de um tamanho de uma azeitona, enquanto almoçávamos  encontramos um casal de Bergen –  brasileira e norueguês – e que o rapaz já tinha conhecido a mãe do Bjørn, no avião, quando ela vinha do Rio para Bergen. Mundo pequeno ou não?

EIDFJORD

Seguindo nossa viagem, aceitei a dica de uma amiga e seguimos para Edifjord, mais uns 40 minutos de estrada. Preciso confessar para vocês: que paisagem de tirar o fôlego! Eidfjord é menor ainda que Voss, e até agora não sei o que tem para se fazer lá a não ser admirar a paisagem. Ela é umas das cidades que você vê em foto, quase uma praia no fim do encontro dos fiordes.

Eidfjord

Eidfjord

Hotel Eidfjord

Hotel Eidfjord

 

E culminado com a vista linda, 19ºC , sem vento e uma cerveja gelada. Quando você vem morar em lugar frio, o que mais se dá valor é o sol esquentando sua pele. E assim ficamos. Passamos o resto da tarde/noite sentados no Quality Hotel & Resort Vøringfoss e só curtindo o sol e a paisagem.

 

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Meus pais curtindo o verão norueguês!

Bjørnfjord

Bjørn ❤

Eidfjord

Meu pais

 

Pegamos a estrada para casa já eram quase 22h e a vantagem do verão é que voltamos com o sol se pondo ainda. Foi uma viagem cansativa, até porque erramos o caminho na volta, mais por falta de atenção do que por falta de placas, mas muito recompensadora. Além da vista linda ainda vimos alguns animas selvagens, como cervo.

 

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Vista da janela

 

E se você quiser ver mais fotos, pode dar uma passadinha lá no Flickr que tem mais coisa lá!

DICAS

Por ser perto de Bergen, optamos por alugar um carro e fazer uma bate-volta, ao invés de ir de trem/ônibus e passar a noite em uma dessas cidades. A estrada é bem sinalizada e mesmo sem um mapa decente conseguimos nos achar direitinho. A dica é prestar atenção nos pedágios. Aqui todos os carros tem um chip e eles mandam a conta do pedágio para sua casa, você não paga na hora. O valor final pode ser uma surpresa. Existem muitos pedágios dentro das cidades, que normalmente são baratos e os interestaduais são mais caros. Não é muito para os norueguês, mas para quem tá de férias aqui pode ser uma surpresa inesperada.

Outra dica é prestar atenção quando você estacionar. Sempre procurar a máquina de pagar o estacionamento e colocar o comprovante no carro. Poucos estacionamento você paga na saída. Acredite, você não quer correr o risco de levar uma multa. Você até pode recorrer, mas uma vez que você aceita dirigir em outro país você assume que conhece as leis de transito locais.  fuén!

A ultima dica é botar a mão no bolso e ir até o hotel de Eidfjord, passar a noite num dos quartos de frente para o fjord e aproveitar por do sol da varanda. Deve ser encantador. Sobre hospedagem em geral, tanto em Voss quanto Eidfjord existem opções mais baratas com Airbnb e muitos espaços para acampar.

Melhores da Semana – 22/05

Já é sexta-feira? Alguém segura esse relógio, pelámordedeos!

Essa semana passou muito rápido e foi super produtiva. Teve post todo dia e o blog está ganhando novos parceiros e novos caminhos estão sendo descobertos. O mundo não vai mudar por isso, mas me dá mais respiro para continuar escrevendo.

Sem mais delongas, os melhores da semana!

1-  Nasjonaldag – 17.mai

O maior evento da Noruega também foi sucesso na página do Facebook.  O dia Nacional da Noruega, que na verdade marca o dia da constituição norueguesa, deixou todo mundo curioso para saber mais como eles comemoram essa data.

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O orgulho do país fica evidente quando você está na rua e a maioria estão usando bunads, as roupas tradicionais.  É realmente uma grande festa que eles adoram celebrar e o fazem por livre e espontânea vontade. O desfile é organizado pelas pessoas e pelo o que entendi com pouca intervenção do Estado.

Você pode ler mais sobre o 17.mai nesse post aqui que falo mais do contexto histórico do dia ou nesse outro aqui que falo mais da festa em si e da minha experiência de fazer parte dela.

2 – 10 Curiosidade Sobre a Noruega

A Época Negócios tem um coluna chama “Ares do Norte” na qual publica textos sobre tecnologia e inovação na Escandinávia. Por conta do 17.mai, a coluna escrita por Lígia Krás, dedicou a semana para homenagear a Noruega com publicações diárias.  O que fez mais sucesso foi o sobre 10 curiosidades do país:

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1. Os mais altos impostos do mundo. O melhor IDH do mundo

2. A Noruega é o melhor lugar do mundo para ser mãe

3. Está na Noruega a prisão mais humana do mundo

4. A cidade mais chuvosa da Europa fica na Noruega

5. Uma das sociedades mais avançadas em igualdade de gênero no mundo

6. O primeiro país a desativar rádios FMs no mundo

7. O maior túnel rodoviário do mundo está na Noruega

8. Por que você deveria conhecer Tromsø?

9. O que esses famosos tem a ver com a Noruega?

10. Ateísmo e confiança

Quem acompanha o blog já sabia de algumas dessas curiosidades e se ficou curioso é só clicar aqui para ler o resto. Vale a pena ler também os outros arquivos, tem sobre cerveja, música e mais um monte de outros assuntos.

3 – Parceria Feliz

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O post já tinha aparecido no facebook em inglês e até compartilhado por algumas pessoas. Porém o texto era tão bom que achei que merecia ser traduzido para português pois vejo muitos, tipo, MUITOS, que reclama de morar por aqui, da vida, do trabalho, das pessoas… Sem dúvida que não dominar o norueguês fez meu inglês melhorar bastante, mas ainda tem muita gente que não domina a língua e como esse blog é todo em português achei que mais justo compartilhar na minha língua. Falei com a dona do blog e ela adorou a ideia. Então quem domina o inglês pode acessar o blog dela, a frog in the fjord,e ter a certeza de texto pertinente e até engraçados. Quem ainda sofre um pouco com  inglês, pode clicar aqui e ler a tradução do texto dela “Como ser um imigrante feliz na Noruega”.


BÔNUS! BÔNUS! BÔNUS!

Achei que meus 15 seguidores fiéis merecia um dica especial para o final de semana, antes dos meus seguidores do facebook.

Eu adoro cozinhar, mas minha mão sempre foi mais pra salgado do que doce. Sempre que fazia um bola aqui tinha alguma coisa que não dava tão certo. Ou solava ou o gosto ficava ruim,mesmo receitas que já tinha feito antes. E um bolo inteiro para duas pessoas é sempre muita coisa. Tinha, então, dois problemas: muito bolo meia boca para duas pessoas. Acabava sempre indo para os bolos, brownie, de caixinha. Só que aqui isso é uma vergonha TOTAL.

Essa semana no blog da Francinha Cooks, tinha uma receita de muffin, que já tinha comido e sabia que era bom, que decidi fazer aqui. Um receita fácil que farias 12 bolinhos! Um quantidade mais do que suficiente, mesmo que não desse certo. Desde então já fiz 3 vezes, com sabores diferentes e todas as vezes os muffins ficaram UMA DELÍCIA!

Tem o de  banana com amora e o de morango com limão siciliano que é o meu favorito! Testei até um sabor novo: maça com canela e ficou maravilhoso! Vou te dizer que é tão fácil quanto o bolo de caneca que vai no microondas!

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Ficou com água na boca? Tá esperando o que? Corre lá e faz um pra você! Fica pronto em 25 min! Depois me conta o que achou!

Ha det bra! Ha en god helg!

Como ser um imigrante feliz na Noruega.

Quando você pesquisa experiências de pessoas que foram morar em outro país você encontra de tudo: gente que se deu bem e que se deu mal, que passou perrengue, que amou, que odiou, que está feliz e que está triste. O que devemos tentar fazer é pescar um pouco de cada e tentar aprender com elas, mas sabendo que cada um é de um jeito e que cada experiência é única e não é por que aconteceu com uma pessoa que vai acontecer com você, mas também não é porque já aconteceu com uma que não vai acontecer com você.

Screen Shot 2015-05-20 at 17.04.25Numa dessas minhas diversas leituras encontrei o blog da francesa Lorelou, chamado A Frog in the Fjord. Os textos dela são bem elaborados, bem descritivos e de imediata identificação. Além do que ela é sempre muito positiva a todos os acontecimentos e peculiaridades envolvendo qualquer ação envolvendo adaptar-se à uma nova cultura. Volta e meia compartilho alguns de seus artigos no Facebook e  tem até um link para o blog dela aqui do lado, no Blogroll.

Como seus texto são na maioria em inglês, com muitos em norueguês (veldig bra!), achei que valia a pena traduzir em particular o artigo em que ela dá dicas de “Como ser um Imigrante feliz na Noruega. Mandei um e-mail para ela que rapidamente me respondeu a aprovou a ideia. A verdade que ela escreve que essas dicas para sermos imigrantes felizes, mas a outra verdade é que essas dicas servem para todo mundo levar uma vida mais feliz. O texto foi traduzido livremente por mim e tudo o que estiver “em itálico, negrito e entre aspas” expressa a minha opinião.


(This text is a translation of “How to be a happy immigrant in Norway?” fom the blog http://afroginthefjord.com/)

1. Aceite as coisas e as pessoas como elas são.

Aceite que aqui é um outro país com sua própria cultura. Claro, metade do quê os noruegueses fazem é novo e diferente para você, mas para eles esse é o normal. É o mesmo no mundo inteiro: pessoas fazem coisas de uma certa maneira e elas estão certas de que essa é a única e melhor maneira de fazê-la. Esse é o caso para os franceses, americanos, “brasileiros” etc… Eles talvez possam saber como os países vizinhos faça as coisas, mas para por aí.

Como um emigrante, você tem diferentes opiniões, claro. Você quer fazer coisas loucas como comer (…)“bolo no café da manhã, comer um prato quente no almoço e jantar as 8 da noite, assistir mais TV do que ouvir rádio e ficar cancelar um compromisso se o tempo estiver ruim” . Sai dessa, esse país é diferente. Caso você queira ser feliz vivendo aqui você precisa aceitar as coisas como elas são e seguir em frente ao invés de reclamar. Você pode mostrar (…)outros itens para comer do café da manhã além de mingau e cereal”. Eles podem achar estranho e você pode dizer ainda que é apenas diferente. Você não precisa julgar o que os noruegueses fazem só porque é diferente, eles podem julgar você de volta. Lembre-se: você não vai mudar a Noruega.

2 – Seja gentil com você mesma.

Isso pode ser um pouco duro, mas eu realmente acredito que umas das chaves para felicidade em geral é manter suas expectativas baixas. Isso também se aplica para Noruega da vida social ao tempo que você demora para aprender a língua. Você espera fazer 100 amigos no primeiro ano que você mudou para cá? Você realmente precisa de 100 amigos? Talvez 3 bons amigos seja melhor do que do que 100 conhecidos. Esse é um país onde as pessoas já fizeram seu amigos na escola e você esta 10 anos atrasado. Você esta aqui há dois anos e ainda não entende as propagandas no ônibus? Bem, você esta num processo de aprendizagem, tudo leva tempo então seja gentil com você mesmo. Você pode saber mais do que acredita. Você esperava ter um trabalho que se encaixasse exatamente na sua formação ou um trabalho no seu país dentro de um ano? Talvez você tenha que aceitar uma posição abaixo da sua, como uma solução temporária, e arrumar um trabalho melhor depois.

Definir metas rígidas para si mesmo pode ajudar, mas também pode te mostrar frustrações ao invés do processo que você fez. Se você tivesse se mudado para outro país as coisas seriam mais fáceis? Talvez não. A imigração é sempre difícil, e adaptação leva tempo. Leia também (em inglês) “Como ser fluente em norueguês ou morra tentando“.

3. Aproveite tudo que é tão especial para Noruega

Eu conheci tantos estrangeiros, especialmente europeus ocidentais, reclamando todo o dia sobre a Noruega, mas há certamente coisas que são melhor aqui do que onde você mora. Claro, as coisas são mais baratos no seu país. Mas, você tem fiordes no seu país? Sim, eu sei, tem mais opções de queijos e alimentos “(carnes, muitas carnes)” em geral no seu país. Mas tem rakfisk no seu país? Ou substitua rakfisk por qualquer comida norueguesa você gosta – kanellbolle”. Você pode não ficar aqui para sempre, então você precisa aproveitar  tudo o que há de tão especial e único aqui, como a licença maternidade longa, a natureza deslumbrante e cultura peculiar. Onde mais no mundo você pode desfrutar de tanta natureza tão perto de cidades? Foque também nas oportunidades, não apenas nos obstáculos. Veja também (em inglês) Como se integrar na Noruega.

4. Tenha sua própria opinião

Se você acabou de se mudar para cá, você pode procurar na internet e encontrar uma quantidade inacreditável de páginas, livros, blogs “(incluindo o meu e o dela)” que contam como é a vida na Noruega. Lembre-se estes são apenas indícios subjetivos para a Noruega visto através dos olhos de outra pessoa. Isto pode não ser a maneira que você vai ver e apreciar as coisas e as pessoas na Noruega. Generalização são perigosas, lembre-se que há diversidade na Noruega. Os 2 km² aonde você vive e as 30 pessoas com quem você interage, do o escritório ao caixa do supermercado, não representam os 5 milhões de habitantes deste país.

5. Saiba aonde você está.

Talvez você seguiu o seu amor, talvez você encontrou um emprego, talvez você fugiu do seu país em guerra, talvez você decidiu tentar a sua sorte e fazer algum dinheiro na Noruega. Eu identifiquei quatro razões para a imigração para a Noruega: Amor, Trabalho, Estudos e Guerra. Talvez você esteja aqui por um curto período de tempo e então tem ainda mais razões para aproveitar o máximo que puder enquanto estiver aqui. Você pode ter se apaixonado por um norueguês, mas isso não significa que você só deve se encontrar com amigos do seu parceiro. Faça a sua própria vida! Você pode não ter escolhido vir para a Noruega, mas isso não significa que você não deve aproveitar. (…) Se você quiser desfrutar das coisas aqui você vai precisar se esforçar mais. A menos que sua vida ideal seja tricotar sozinha na frente da TV, então você não vai precisar fazer muito esforço para socializar e integrar na sociedade norueguesa.

6. Seja você mesmo

Todo mundo está dizendo que você precisa comprar um esqui para ser um bom imigrante, e gostar de brunost, um tipo de queijo de cabra, marrom, que mais parece doce de leite, mas é queijo de cabra e comer knekkebrød, “um tipo de bolacha integral retangular”, todos os dias. Se você não gosta, não coma. Há muitos noruegueses que odeiam esqui, sentem repulsa pelo gosto de aquavit, “a cachaça deles”, e preferem deitar numa praia à fazer caminhadas por 9 horas em Jotunheimen. Eles só não gritam para o mundo, mas eu conheço muitos. Então relaxe, e seja você mesmo! Para mim, eu acho que ser feliz aqui requer um equilíbrio entre a vida norueguesa e vida/cultura da minha própria casa. Encontrar outros franceses, falar a minha própria língua, comer a comida da minha infância, reclamar sobre as coisas na Noruega que ainda são tão difícil para mim e rir sobre isso. Ninguém nunca disse que você deve abandonar a sua própria cultura e os amigos de casa para se encaixar. Eu conheço muitos imigrantes que fazem jantares para seus vizinhos para mostra-los sua própria comida e cultura. Quem disse que noruegueses não estão interessados em explorar novas culturas também? A melhor parte da imigração: trocas.

7. Saiba quando ir embora 

Se você sente que este país está fazendo você infeliz, porque há coisas aqui que não se encaixam​​com os seus próprios valores, com sua necessidade de sol, sua concepção de verão (que não inclui usar roupas de lã) e porque você odeia a natureza e caminhadas e montanhas. Então talvez você deve apenas ir embora. É como quando você vai fazer caminhadas na montanha, não há vergonha em ir embora antes de ter alcançado o seu objetivo (subir o Everest ou fazer da Noruega sua casa). Obviamente que isso se aplica aos imigrantes que tem uma escolha. Se você fugiu de uma guerra no seu país talvez não tenha muito a opção de voltar para casa tanto quanto um engenheiro holandês cuja empresa trouxe para trabalhar na Noruega por um altíssimo salário. Claro que existem situações mais difíceis do que outras. Para citar um comediante francês famoso comediante: Todos terão direitos iguais, mas alguns serão mais iguais do que outros (Coluche).

Se nenhum dos pontos acima lhe convenceu que existem maneiras de ser feliz na Noruega, pense nisso, você poderia estar em uma Goulag Siberian. E adivinha o quê, você não é. Está na Noruega, onde você tem os direitos trabalhistas, segurança social e vizinhos prontos para ajudá-lo se você precisar dele. Trata-se de ver o copo de água meio cheio, não meio vazio. Ninguém disse que a imigração era fácil, mas tente ao máximo para fazer o seu melhor. Eu fiz, e não foi fácil! Boa sorte!


Esse texto é maravilhoso e faz a gente para por um segundo e refletir sobres os motivos que fizemos a mudança. Nada na vida é perfeito, mas nem tudo tem que ser horrível. E por experiência própria, quando cheguei aqui era tudo  um ponto de interrogação dúvidas. Alguns coisas foram resolvidas, mas outras dúvidas surgiram e é assim que vida segue. Terminei uma parte do curso de norueguês e mesmo achando que não entendo nada, com certeza então muito mais do que quando cheguei. É mesmo como ela fala, de ser gentil com você mesma e dar valor ao que já foi conquistado.

Espero que vocês tenham gostado, e para os que falam inglês, sigam o blog dela que vale muito a pena!

Ha det bra!

Bem-vindo à… Suécia?

Para quem acompanha o blog sabe que eu sou viciada em séries de TV. Mesmo tendo uma formação cinematográfica, aos poucos fui trocando o cinema pela TV na mesma medida que os programas começaram a ficar mais “ricos” não só nos seus lucros, mas todo o formato mudou e os roteiros ficaram mais elaborados, e a fotografia mais incrível, uma vez que o orçamento de cada episódio aumentava. HBO abriu um caminho para um novo mundo de séries e agora Netflix e Amazon seguem, não necessariamente atrás. Ainda adoro cinema, mas séries virou uma paixão maior.

Toda essa introdução para falar sobre a minha mais nova descoberta no mundo das séries e que tem tudo a ver com mudar de pais e todas as temáticas que tratamos aqui. É um personagem que muda para outro país por amor. Dá pra ser mais parecido? Não dá, porque o personagem é um homem e ele se muda para Suécia, mas tirando isso, qualquer um de nós que saiu do conforto da nossa casa para viver em qualquer pais escandinavo vai se identificar com essa série, em maior ou menor escala.

Welcome to Sweden

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Bruce Evans é um contador americano, morador de Nova York, e que trabalha “multiplicando dinheiro” para celebridades. Trabalhava. A primeira cena e ele contando para um cliente que está apaixonado e vai se mudar para Suécia, logo ele não será mais seu contador. O cliente? Amy Poehler “herself”, umas das maiores comediantes atualmente nos EUA. O diálogo, como você imagina, é divertidíssimo.  A cena seguinte já é no aeroporto.

Bruce é interpretado por Greg Poehler, como o sobrenome sugere, é irmão da Amy. Ele, um dos criadores da série, e não a toa, é casado com uma sueca, daí tantas inspirações. Além disso a série possui escritores americanos e suecos, o que faz a série engraçada nas duas línguas, uma vez que, pra quem ainda não percebeu, a definição de comédias paras os dois são bem diferentes.

O roteiro permite muitas participações especiais com o fato de Bruce trabalhar para celebridades, além da irmã Amy, outras celebridades fazem constantes participações especiais, como o também comediante Will Ferrell e o cantor Gene Simmons, do Kiss.

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Estereótipos e verdades

É difícil pensar em outros países e culturas e fugir dos estereótipos, mas a verdade é que muitos são reais, mesmo que a maioria seja exagero. E essa série é cheia deles, mas você vai se identificar com maioria. Você vai pensar, é isso mesmo: também fiquei chocada quando descobri que ia ter que pagar 10 mil coroas para tirar carteira de motorista válida (aqui é ainda mais caro), e mais um monte de outros exemplos que não quero contar para não tirar a graça de você identificar essas situações.

E os “problemas” do Bruce são os “mesmos” que o nossos: adaptar-se à família, os amigos no curso da língua, os amigos locais, as comidas, procurar por trabalho…  mas no final é sempre sobre como é preciso que continuemos sendo quem somos, mesmo que vivendo em outro país.

Não sei o que os suecos pensam sobre a série, talvez não gostem muito, mas como nós brasileiros não gostamos quando tocam em nossos ponto francos. Mas se eu, que me mudei para Noruega achei fácil de identificar, é porque deve ter alguma verdade nisso, né? Talvez por isso não sei se quem for indiferente a essa temática vai achar tão engraçado quanto eu e Bjørn achamos.

“Welcome to Sweden” estreou em julho do ano passada na NBC, e já tem a segunda temporada confirmada para estrear dia 19 de julho. Pela nova foto de divulgação tudo indica que essa nova temporada vai ser sobre Bruce sobrevivendo ao inverno.

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Todas as fotos foram tiradas da página do facebook da série.

E voltamos a programação normal

Depois de qualquer coisa que faço, gosto de parar e pensar um pouco em como tudo foi feito. Na verdade eu sempre gosto de pensar de mais nas coisas, às vezes ajuda, às vezes não. Na maioria das vezes ajuda.

A primeira coisa que me veio a cabeça foi que vir para Noruega é bem parecido com ouvir música experimental pela a primeira vez: no começo você não entende muita coisa, não sabe do que se trata e se sente um pouco sozinha num meio inóspito. Porém a partir do momento em que você abre seu coração, você começa ver a beleza, entender os sons, como funciona e cria coragem de conversar com outras pessoas. Tá certo que você ainda não entende tudo, mas já entende muito mais do que quando começou.

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A melhor pior semana de Bergen.

Essa semana que passou era para ter sido a semana mais difícil desde que vim morar aqui. Segunda passada meu marido viajou a trabalho para ficar uma semana fora. E viajou para onde? Para o Brasil é claro.

Já era sabido que mais cedo ou mais tarde essa viagem ia acontecer. Houve até uma vez que ele quase viajou as pressas e sem aviso prévio e eu quase entrei em colapso com a ideia de ficar sozinha na cidade. Pelo menos a viagem dessa vez foi planejada com antecedência suficiente para que eu pudesse organizar as ideias e não surtar e acabar deprimida no sofá os 7 dias.  Mas melhor do que planejar é ver as coisas acontecerem melhor do que o planejado

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