E voltamos a programação normal

Depois de qualquer coisa que faço, gosto de parar e pensar um pouco em como tudo foi feito. Na verdade eu sempre gosto de pensar de mais nas coisas, às vezes ajuda, às vezes não. Na maioria das vezes ajuda.

A primeira coisa que me veio a cabeça foi que vir para Noruega é bem parecido com ouvir música experimental pela a primeira vez: no começo você não entende muita coisa, não sabe do que se trata e se sente um pouco sozinha num meio inóspito. Porém a partir do momento em que você abre seu coração, você começa ver a beleza, entender os sons, como funciona e cria coragem de conversar com outras pessoas. Tá certo que você ainda não entende tudo, mas já entende muito mais do que quando começou.

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Latte, IPA e Aking

Muito tempo sem escrever = muita coisa pra contar + um pouco de preguiça.

Desde a última nevasca e post, o tempo virou, ontem fez -6ºC mas os dias estão incríveis. O que rendeu passeio, lugares novos, e fotos lindas.

Finalmente tomei um café gostoso. Seguindo uma das dicas fui na “Det Lille Kaffekompaniet“, que como o nome sugere significa “A Pequena Companhia de Café”. Pedi um latte, single pra mim, e double, pro Bjørn acompanhado e um bolo de maça. Difícil dizer o que estava tão gostoso. O café foi tão bem tirado que nem precisei adoçar – Bjørn me ensinou que quando o café é bem tirado ele não fica tão amargo. Procede?

Latte

Latte

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Como pedir um café em norueguês.

Mais difícil que pedir um café em norueguês – “jeg vil gjerne ha en koppe kaffe“, é pedir um bom café na Noruega. O café coado daqui é chá-fé, o expresso é curto e o café com leite é o chá-fé com leite. Nessa horas eu queria ser rata de Starbucks pois saberia como pedir meu café internacionalmente. Minha próxima tentativa será um “Latte” e acho que vou acertar.

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Fui lá e flanei!

Primeiro não tem como não agradecer todo mundo que leu, comentou e deu dica. Tanto no Facebook quanto por aqui, foram tantos comentário que fiquei surpresa e feliz que tem um monte gente lendo e gostado do blog. Esse feedback só me faz querer escrever mais e flanar mais por Bergen.

E por falar em flanar… flanei. Na verdade não sei bem se foi flanar, mas fui num café e fiquei lá uma hora inteira! Li revista, observei a loja, os funcionários e os outros clientes e também o que tinha do lado de fora. E quase não usei o telefone, apesar de ter wi-fi, para mergulhar melhor na experiência.

Comecei quebrando a regra do FourSquare e escolhi um café que já conhecia por dois motivos: localização e simbolismo.

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O que eu faço na Noruega – ou eu não sei flanar

Com aproximadamente 250 mil habitantes você pode imaginar que não tem muita coisa para fazer aqui em Bergen. Principalmente se você comparar com o Rio, que quase nunca tem nada pra fazer mas tem um pouco mais de seis milhões de pessoas.  Não sei se eu é que sou nova por aqui, mas sempre tem algo pra fazer, alguma festa, show, evento além de bares e restaurantes… e por aí vai.

Mas, o que eu faço aqui? Fim de semana a gente vai tomar uma cerveja, as vezes assistimos a um show ou passeamos em algum lugar que a gente não conheça. Agora, durante a semana, é bem diferente.

Confesso que sou bem dependente de pessoas pra fazer coisas e sempre justifico isso dizendo que gosto de dividir reações e opiniões. Como ir no cinema sozinha: não chega nem perto de ir no cinema acompanhada. Um segunda pessoa, ou mais, é bom pra dividir a pipoca, fazer piadas internas, reclamar das outras pessoas que estão falando, comentar sobre o filme antes, durante e depois dos filme. É tão mais legal! Já, já fui sim no cinema sozinha e não foi deprimente, mas foi como se eu não tivesse ido, ninguém vai saber.

Então, durante a semana, principalmente agora que estou de férias do curso de Norueguês, quase não saio de casa. Eu saio quando tenho que comprar algo ou vou na casa da minha amiga estudar, mas não é tipo “vou passear pela cidade sem nada pra fazer e descobrir novos lugares”. Eu não sei fazer isso. Eu não sei flanar.

É lindo quando vemos nos filmes, ou lemos nos livros, pessoas chiques que sentam em cafeterias, tomam um café curto e fumam um cigarro numa mesinha redonda em frente a vitrine e o observam o mundo rodar lá fora. Ou, quando nos filmes do Woddy Allen, os personagens passeiam pela cidade parando a cada lojinha ou simplesmente, sentados no banco da praça,  admiram as particularidades dos transeuntes. Gente, não dá! Depois que o café acabou não tem mais nada pra fazer, pega a bolsa, paga a conta e vai embora. E quanto tempo podemos ficar zazando pela rua sem fazer nada, sem nenhum objetivo? Eu pelo menos não muito tempo.

Antes que eu pareça uma chata, não acho ruim quem gosta de flanar, acho que é uma arte,  mas eu realmente não consigo. Sou muito ansiosa, com muita coisa na cabeça pra conseguir ficar parada num lugar. Realmente admiro quem faz isso porque nesse tempo você se permite conhecer a cidade, lugares novos, e aprende a ficar com você mesmo.

Por isso, pensei muito sobre isso, e achei que poderia ser bem interessante fazer um experimento: pelo menos uma vez por semana ir num lugar diferente, tipo um café, ou um restaurante, e até mesmo no cinema, e depois escrever sobre o lugar e sobre a experiência.

Como escolher os lugares? Achei que a melhor maneira seria através do aplicativo Foursquare. Lá vão ter várias sugestões de diferentes lugares e a ideia é começar pelos cafés mais bem votados. Sentar, pedir um café e fazer um review do local e do que tem ao redor.

Vai ser um bom jeito de conhecer a cidade sozinha, e mais ainda, vai ser uma ótima maneira de manter vocês atualizados sobre o que tem que legal pra fazer por aqui. Esperem até o fim da semana eu vou ter um novo post pra vocês!

Ha det! (bye bye em norueguês – pronuncia-se “ra da” como ra, em rato e da, em dado)

Vídeo

O “ó” tem som de “u” – på norsk

Não é que aprender norueguês seja difícil, mas não é fácil também.

O fato de todo mundo falar inglês é uma enorme barreira. Por mais que eu queira exercitar o que aprendi, meu vocabulário é curto, uma vez que faz apenas três meses que estou aprendendo. Assim, quando vou a uma loja, por exemplo, começo com norueguês, mas quando chego na terceira frase eu já gastei todo meu vocabulário, já estou suando e gaguejando, não resisto e “then I start to speak in english” . E aí a conversa curta do meu pobre e mal conjugado norueguês se transforma. Os próprios noruegueses não tem muita paciência. Acham lindo que você esteja se esforçando pra aprender um língua confinada a um país, mas depois de dois minutos já voltam a falar com a velocidade normal e isso torna impossível você entender algo.

Aliás, ouvir é muito difícil. Todo mundo diz que eu e minhas amigas falamos rápido, então, claro que eu também acho que aqui eles falem rápido, mas o pior problema não é nem esse, é que, mais uma vez, como eu não domino a língua, além do sotaque, eles vão juntando palavras e mais palavras e formando uma outra. É como uma casa de verão na praia. Aqui seria algo como casadeverãonapraia, só que com muitos mais “k’s”, “ø’s” do que no Brasil. Por exemplo, batedeira aqui é a união das palavras “cozinha = kjøkken” e “máquina= maskin”ou kjøkkenmaskin. De novo, não é que seja difícil, mas primeiro você leva um susto com a quantidade enorme de consoantes, ai depois você entende que são duas palavras, aí você traduz. Então você perdeu quase um minuto em uma palavra. Até aqui meu texto já possui 287 caracteres. Imagina num diálogo?

E o que são os ditongos daqui? Mas pra aprender os ditongos é bom saber as vogais: A E I O U Y Æ  å ø (não consegui nem achar como colocar essas duas últimas em caixa alta no teclado). O “a” e o “é” são as mesmas coisas. Mas ó tem som de ú!!! E o “æ” é o som de uma ovelha berrando (exatamente assim que me ensinaram), o “å” tem som de “ô” e “ø” parece “oa”. Agora os ditongo: ei, au, øy, ai e oi. Lembrou de tudo?

Por isso que eu disse que mesmo não sendo difícil não é muito fácil. Eles não tem não muitas palavras, como os franceses mas os verbos não são fáceis quanto os ingleses. E um coisa me me perturba profundamente: alguém sabe me dizer porque em norueguês quase não tem palavras que começam com a letra “c”? Já olhei dicionários gigantescos e o número de paginas não passa de duas ou três no máximo, e a maioria das palavras são de origem inglesa. Vai saber…

E vai um vídeo nosso passeando aqui perto de casa 🙂 É o primeiro vídeo, então ainda está bem simples.

A música é da banda norueguesa Kråkesølv e chama “Ikke rart vi blir sprø“.

Vídeo

O dia mais feliz da minha vida.

E como eu vim morar com um norueguês na Noruega, uma das exigências do meu pai era que nós nos casássemos antes de virmos, precisávamos casar oficialmente (já moravamos juntos fazia dois anos) para facilitar o processo de imigração. E esse dia foi um dos mais felizes da minha vida. Não porque estávamos casando, não porque esse dia simbolizaria o início da nossa família e muito menos porque estávamos formalizando nossa promessa de amor eterno. Tudo isso já existia e acredito que todos nossos amigos e familiares já sabiam disso. Vou tentar explicar porque esse dia foi tão especial.

Bjørn arrumou um trabalho na Noruega, yada yada yada, e em dois meses a gente estava com quatro malas e cuia dentro do avião. Nesses 60 dias tivemos que correr contra o tempo para juntar um monte papelada, e dinheiro, para dar entrar com o pedido de casamento no cartório. Confesso que fiquei muito frustrada com a forma que tudo estava acontecendo. Te dou um dado? 73% das mulheres sonham com sua festa de casamento. Dentre essas, 93% sonham com a festa de casamento desde o dia em que foram, de fato, pedidas em casamento. Eu, fazendo parte dessa estatística, já tive pensado e repensando aonde queria me casar, quem eu ia convidar, como ia ser meu vestido, a decoração… Com apenas dois meses pra planejar, eu sabia que não ia poder ter nada disso. Pelo tempo e pelo dinheiro. Precisávamos pagar rescisão de contrato de aluguel, passagens de avião, o casamento no cartório, inúmeros documentos que precisavam ser traduzidos oficialmente… qualquer gasto extra era impensável. Até a lua de mel seria adiada.

O que eu ainda não contei, eu acho, é que o noivo já estava na Noruega, e que ia voltar só por dois motivos:  1) claro, pra casar comigo; 2) Para o casamento do irmão dele, no qual seríamos padrinho e madrinha. Com pouco tempo de trabalho, ele não poderia tirar muitos dias de folga pra vir fazer tudo isso. Ou seja, ele chegava na quinta a noite, assinaríamos os papéis no cartório na sexta de manhã e no sábado seria o casamento do irmão dele e, finalmente domingo, embarcaríamos rumo à Escandinávia.

Teimosa e orgulhosa como sou, decidi que então não teria nada também. Não dava pra ser do jeito que eu queria comemorar, então Bjørn ia ficar me devendo um festa bem linda depois, com todos os meus amigos, um vestido bem caro e tudo mais que eu quisesse. Com latas atrás do carro e lua de mel!

E assim começa a história do dia mais feliz da minha vida.

Minhas super amigas com visão além do alcance, me encurralaram num canto e decidiram que iam fazer alguma coisa pra gente e para eu para com essa babaquice bobeira de não querer ter festa. Afinal de contas elas também queriam se despedir da gente e de participar desse dia.

Foram necessárias algumas sessões de terapia até eu aceitar que eu ia ter uma festa de casamento, que não seria do jeito que eu tanto sonhei, e que eu não ia poder fazer nada do jeito que eu queria… depois de muito espernear eu aceitei no meu coração.

E foi lindo. Todo mundo ajudou, cada um fez um pouco aqui e um pouco ali e ficou igual aqueles casamentos em casa que você vê nas revistas. E foi assim que eu me senti: como se meu casamento tivesse saído da revista. Eu adoro dizer isso, mas é verdade, veio gente do mundo todo. Veio até gente da África. E acho que chorei mais quando vi um dos meu melhores amigos ali na porta do cartório, vindo diretamente de Nova York, só pro casamento do que de fato no casamento. E a festa durou oito horas: teve cerimônia, teve flores, teve buquet, teve bolo, teve lembrancinha, teve Paçoquita, teve Polaroid, teve garçom que também era cinegrafista e filmou a cerimônia… mas não, infelizmente não pude chamar todo mundo que eu queria, mas de alguma forma, foi tudo… PERFEITO.

Antes que eu fique mil horas falando de como tudo foi lindo e maravilhoso, tem uma pequena amostra aqui.


Since I was coming to live with a Norwegian in Norway, we needed to officially marry (because we were already living together for the past two years) for the immigration process. And that day was one of the happiest of my life. Not because we were getting married, not because that day symbolizes the beginning of our family and a lot less because we were formalizing our promise of eternal love. All this was already there and I believe that all our friends and family knew that. I’ll try to explain why this day was so special.

Bjørn got a job in Norway, yada yada yada, and in two months we were inside the aircraft. In those 60 days we had to race against time to put together a lot paperwork, and money, really get married. I confess I was very frustrated with how everything was happening. Scientific research says that 73% of women dream about their wedding party. Among these, 93% dream of a wedding party since the day they were in fact proposed. I wasn’t any different. I had been thinking about where I wanted to marry, who I was going to invite, how would be my dress, the decor … With only two months ahead to plan, I knew it would not be able to have any of that. We had to save money because of the moving … any extra expense was unthinkable. Even the honeymoon would be delayed.

What I have not told you is that the groom was already in Norway, and would return only for two reasons: to marry me and for his brother’s wedding, which we would be godparents. Being new at work, he could not take many days off. So he arrived Thursday night, we would sing the papers on Friday morning and on Saturday was the brother’s wedding and finally, Sunday  we would fly towards Scandinavia.

Stubborn and proud as I am, I decided that I should not have anything. If it could not be the way I wanted to celebrate, then it wouldn’t. Bjørn would owe me a very beautiful party later with all my friends, a very expensive dress and everything else I wanted. With cans behind the car and a honeymoon!

And so begins the story of the happiest day of my life.

My super friends, cornered me and decided they were going to do something for us and it was for me to stop being silly about  not wanting to have a party. After all, they also wanted to say goodbye and be part of that day.

Few sessions of therapy were necessary until I accept that I was going to have a wedding party, and it would not be the way I dreamed so much about, and I was not going to do anything the way I wanted.

And it was beautiful. Amazing. Everyone helped, everyone helped a little here and a little there and it looked like those weddings at home you see in magazines. And that was how I felt: as if my marriage was on the magazine. I love to say it, because it’s true, people came from all over the world. There were people coming from Africa. And I think I cried more when I saw one of my best friends, coming directly from New York just for the wedding than the actual marriage. And the party lasted eight hours: it had a ceremony, flowers, a bouquet, cake, souvenirs, Paçoquita, Polaroid, and a waiter who was also a videomaker and filmed the ceremony … but no, unfortunately, I could not invite everyone I wanted, but somehow, everything was … PERFECT.

Enought with the writing, here it is small sample here.