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364 dias depois

Há exatos 365 dias atrás eu entrava no carro em direção ao Aeroporto Internacional do Galeão, com duas malas de 32kg, rumo à Noruega, deixando para trás amigos, família, sobrinho na barriga da mãe, o sol, o calor, e mais um monte de coisas que, mesmo depois de 12 meses, ainda me fazem falta.

@alexatala tô chegando pra festa!! Bj

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Não foi fácil e ainda não é fácil viver aqui e escolher estar aqui. Entretanto é maravilhoso poder viver em outro país, aprender outra língua, viver em outra cultura, conhecer novas pessoas… é um mundo se abrindo diante dos meus olhos.

Bergen com toda sua chuva me fez entender que existe vida em dias nublados, que não é porque está chovendo que vai ter muito trânsito e que tudo ainda vai estar funcionando como se fizesse 40ºC. Aliás, Bergen me fez esquecer o que é sensação térmica de mais 30ºC e fez acreditar que 25ºC, quando faz, é verão.

Aprendi também aqui que não precisa ser uma cidade grande como São Paulo para ter shows legais ou programas culturais interessantes. Basta oferecê-los que as pessoas irão. E é impressionante como as pessoas vão, mesmo com chuva! Deveriam fazer uma pesquisa sobre acontecimento único.

Mas esse post é uma celebração ao  Brasil e de como certas coisas fazem parte da cultura local e que essas coisas são difíceis de importar.

Aqui vai então a minha lista de coisas que sinto falta no Brasil/Rio de Janeiro e que vou fazer assim que tiver a oportunidade de visitar. A maioria envolve comida, eu sei, mas para mim comida tem um significado maior e muito emoção e memória ligada à ela.

Acho que minha “comida” favorita é pastel, mas o que eu mais sinto falta aqui não é de pastel, mas de acordar aos sábados e ir na feira da General Glicério, comer um pastel de feira e tomar um caldo de cana com limão enquanto penso no almoço de sábado: uma boa paleta de porco, sobre-coxa de frango ou melhor ainda, uma boa muqueca de namorado ou um ceviche.  Sem dúvida umas das minhas melhores memórias de quando morava em Laranjeiras e só gringo pode pensar em sugerir um passeio no Fisktorget daqui como substituto. Apesar de ser um ponto turístico, o mercado de peixe daqui é para turista e nem tem um terço das variedades que encontramos nas nossas feiras. Não estou dizendo que é ruim, só é diferente.

Amores na feira

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Já que estamos falando de feira, outra coisa que sinto falta aqui são nossas frutas. A globalização tornou possível o acesso à frutas tropicais, mas aqui só tem um tipo de banana, a manga não tem cheiro e é impossível fazer um mousse de maracujá aqui. Algo tão comum para mim era comer o mousse de maracujá feito à partir do suco concentrado. Só vi maracujá pra vender uma só vez, junto com as frutas exóticas,  e nem era como o nosso maracujá,  que é amarelo por fora, e custava 29 coroas duas unidades pequenas – algo em torno de 13 reais. Verdade seja dita, eu até como mais frutas aqui do que no Brasil: mais ameixas e nectarinas, muita tangerina na época do natal e todas as “berries” que você possa imaginar: cereja, mirtilo, oxicoco, amora, framboesa e morango. Porém, quando eu chegar no Brasil, quero manga espada e manga palmer, comer de escorrer pelos braços, fruta do conde, picolé de graviola e uma penca de banana prata. E mousse de maracujá, claro.

Banana Prata R$1,99

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Talvez por bebida alcóolica em geral ser o olho da cara, aqui não se tem o hábito de sentar num bar e ficar pesticando frituras gordurosas e deliciosas enquanto toma-se aquele chopp. Quando norueguês vai beber num bar ele come amendoim e outras nuts. Aos poucos até percebo a ideia de tapas ficando mais popular, mas ainda assim é bem diferente do nosso informal chopp e petisco. Pode ser os pastéis de feijoada do Mineiro, as empadas de camarão do Caranguejo ou qualquer um dos itens do cardápio da Kátia Barbosa, não tem sensação melhor de estar passeando e decidir parar num bar, pedir um chopp e dois pastéis, relaxar e não se preocupar se perder a hora do almoço. Esse conceito, entretanto, vai contra tudo o que os norugueses acreditam: planejamento, pontualidade e comida saudável. Depois de tanto petisco, tô achando que vou conciliar minha visita ao Brasil junto com a próxima edição do “Comida de Buteco”.

Essa, só quem é carioca vai entender: mate com limão e biscoito Globo na praia. E nem precisa explicar muito porque a combinação praia + sol + mate + biscoito globo é tão carioca quanto é gostosa. A matemática é clara. Esse itens sozinhos são bons, mas juntos eles se completam e formam o quadrilátero da perfeição do final de semana carioca. Aqui tem praia e as vezes tem sol. Minha mãe trouxe mate para mim e eu até poderia fazer biscoito globo. E num milagroso sábado de sol do ano eu poderia combinar todos esses elementos numa praia daqui, mas alguém acredita que ia ser a mesma coisa?

Ainda com as amigas, se atualizando nas novidades …

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Outra coisa que pode ajudar a vocês entenderem minha lista são minhas origens. Minha família veio do nordeste e se tem uma coisa que lembra minha infância e minhas férias na casa dos meus avós e primos, são as comidas nordestinas. Eu como farofa como os noruegueses comem batata! Tem dias que desejo um arroz branquinho recém feito com a feijoada da minha mãe. Sem falar na rabada que ela faz! Já tô salivando só de pensar. E não precisa nem ir até o nordeste para pensar em comida gostosa. Tem dias que sinto falta só daquele galeto com batata frita e molho à campanha. Claro que tem galinha aqui e eu poderia fazer um frango assado. Mas qual é a graça de fazer seu próprio frango assado?

Feijoada!!!

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Sempre impliquei com minha mãe porque ela cozinhava prum batalhão. Comida lá em casa podia não ser chique, mas nunca faltou. Mesa farta pra duas, quatro ou dez pessoas. Enquanto por aqui, já ouvi dizer que, antes da refeição, eles perguntam quantas batatas você que comer. Verdade ou não, nunca cheguei a ficar com fome, mas nunca vi uma mesa tão bem servida quanto nas festa de família. O mesmo vale para restaurantes. Onde já se viu um brunch com pouca comida? E qual a graça de ir num restaurante japonês e não ter rodízio? Será que preciso falar alguma coisa sobre nossas churrascarias? Com a cabeça de gado mais caro que o barril de petróleo, agora entendo esse frenesi gringo em torno do nosso churrasco. Dependendo da hora que chegar meu vôo, acho que prefiro passar no Porcão Rio’s antes de tudo (se bem que já ouvi dizer que eles não estão tão bem das perna não…)

Perdeu @loadbruno! De novo.

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Existem claro outras coisas, como chopp na mureta da Urca, comprar vinho na hora e aonde quiser, morder as coxinhas do meu sobrinho, ensinar minha sobrinha a fala “tante Gaby” (tia gaby em norueguês), tirar cochilo no sofá da minha mãe, pic-nic na Lagoa com as amigas, Stand Up Paddle no posto 6 e a lista continua sem fim.

Stand Up Paddle Crew! #standuppaddle

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Um ano morando na Noruega me ensinou, entre tantas coisas, duas em particular: comer na rua é extremamente caro para ser feito regularmente e, por isso, desenvolvi, e muito, minhas habilidades culinárias que hoje vão muito além do bife com arroz e feijão. Até quando o assunto é cozinha, eu posso dizer que saí da minha zona de conforto e, apesar de ter variado e aumentado meu livro particular de receitas, vai sempre continuar existindo pratos típicos que vão me lembrar pessoas, lugares e momentos  que por mais que eu repita aqui, vai faltar aquele temperinho que só encontro na casa da minha mãe, na mesa com meus amigos e naquele bafo do verão carioca.

This is Rio babe!!! #thisisrio #santa #casorinhojuetico

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Deixe estar Rio de Janeiro, e agora São Paulo também, que um dia eu chego de volta aí e vamos ter muito o que conversar.

Pode deixar nos comentários o que você sente ou sentiria falta, se fosse você. Tente não ficar no básico de família e amigos.  Fecha o olho e se imagine acordando naquele lindo dia de sol e que você é seu único compromisso. Pode ser qualquer coisa.

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O verão de 2015 – aquela quinta-feira.

Quase um ano depois fico impressionada como eu me adaptei a condições climáticas, gastronômicas e linguísticas. Ainda tenho muito caminho pela frente, mas é com um passo que se começa.  Meu mantra sempre foi “quando passar o inverno, digo o que acho dessa cidade”. E aí passou o inverno: neve, dias frios e cinzas como a gente vê na TV.

E no outro dia chegou a primavera. A neve derreteu e o verde apareceu de novo; as plantas floresceram e você jura nunca ter visto tantas cores na vida. Os dias passam, as flores começam a murchar e quando percebe você sai de casa só com um casaco e pensa, “o verão está chegando, eu posso sentir”. Sabe nada inocente!

E o verão veio. Foi numa quinta-feira. Chegou na hora e, quando todo mundo embriagado de verão, ele saiu a francesa. Dizem que ele mandou beijo para todo mundo e que ia voltar.

É isso, o verão de 2015 é como aquele cara lindo que todo mundo quer pegar. Quando ele chega na festa to do mundo vê, mas ninguém vê ele indo embora. Mas a festa continua, mesmo sem a mesma graça, só por que ainda tem bebida. E semana que vem alguém vai dar outra festa e você acaba indo porque, vai que ele aparece de novo?

E assim tem sido os finais de semana. Sempre um churrasco na manga esperando o sol chegar. Quando ele chegar estaremos preparados, mas se ele não vier, nós nos divertimos!

Nunca vou me esquecer do verão de 2015, caiu numa quinta-feira. Coloquei o biquine e peguei um bronze, mas como não tirei foto, você vão ter que confiar na minha palavra.

A conclusão que eu cheguei é que o verão de Bergen é igual ao inverno do Rio. Lenda.

Mas não importa se o dia está cinza, se a temperatura não passa dos 15ºc e se até tem chovido bastante. É verão! Tá dizendo nos jornais, na TV e todas as lojas estão com promoção de verão! Estamos aproveitando o verão antes que ele acabe. Agosto tá chegando e já já alguém fala “the winter is coming” e aí não tem mais volta.

No próximo post vou contar um pouco sobre um passeio de carro que fiz quando meus pais estavam de visita. Eidfjorn é um dos lugares mais lindo que já vi por aqui.  Fica uma provinha de lá!

Eidfjord - Hordaland

Eidfjord – Hordaland

Melhores da Semana – 15/05/2015

Agora sim, melhores da semana no fim da semana!

Está sendo um prazer escrever essa coluna hoje. Estou na minha varanda,de camisa e chinelo, pegando um solzinho de 13º, sem vento, e já estou sentindo uma gotinha de suor se formando na minha testa. Já já me levanto para fazer um smoothie de frutas vermelhas.

Ontem foi feriado por aqui e eu fiquei em casa curando a ressaca moral e física depois que a minha privacidade, eu cantando no Karaokê, foi compartilhada pelo meu marido.  Não incentivo o consumo de álcool, mas é como dizem, nenhuma aventura começa com um prato de salada.

Mas vamos ao que interessa, sem dor de cabeça ou taquicardia, os melhores da semana no facebook!

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Turistando em Bergen.

Não importa onde moramos, sempre vamos tratar a cidade da nossa casa como um cidade comum. Depois de uma semana ela vira funcional e você esquece de olhar para os lados ou para cima e só olha pra frente.  Eu ainda gosto de flanar e tal então tento mudar o olhar, mas turismo só faz que é turista ou quem guia turista. Ninguém vai no Cristo Redentor só por ir. Times Square então, é odiada pelos novayorkinos.

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Não tem carnaval mas tem páscoa. 

A páscoa é um dos feriados mais importantes da Noruega. É tão importante quanto o Natal e só fica atrás do Dia Nacional, comemorado dia 17 de maio. É o primeiro feriadão do ano: são cinco dias e meio de folga que começa no meio da quarta-feira, pré “sexta-feira santa”, e vai até segunda seguinte, pós domingo de páscoa. Essa época também marca o início da primavera e, com ela, o fim dos dias escuros, frios e chuvosos (se você não mora em Bergen) e o fim da época de esquiar. Por isso muitos viajam para os “fjels” (montanhas), “gå på ski” (vão esquiar) ou simplesmente relaxar na sua “hytte”, a casa de “campo” deles. Por conta disso a cidade fica deserta. Fica tão deserta que no domingo de páscoa o jornal local até publicou no facebook uma foto do centro cidade vazio com o título “Kom hjem, bergensere! Vi savner dere” ou e bom português “Voltem para casa, Bergenses, estamos com saudades”.

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E voltamos a programação normal

Depois de qualquer coisa que faço, gosto de parar e pensar um pouco em como tudo foi feito. Na verdade eu sempre gosto de pensar de mais nas coisas, às vezes ajuda, às vezes não. Na maioria das vezes ajuda.

A primeira coisa que me veio a cabeça foi que vir para Noruega é bem parecido com ouvir música experimental pela a primeira vez: no começo você não entende muita coisa, não sabe do que se trata e se sente um pouco sozinha num meio inóspito. Porém a partir do momento em que você abre seu coração, você começa ver a beleza, entender os sons, como funciona e cria coragem de conversar com outras pessoas. Tá certo que você ainda não entende tudo, mas já entende muito mais do que quando começou.

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Quando em Roma…

Fjellstur, ou passeio pela montanha, é o que se faz aqui. É o que se tem pra fazer aqui. Infinitamente. É como a praia: todo mundo vai. O gordinho e o sarado, a criança e o vovô, o cachorro e o papagaio… Tanto que, uma amiga que queria uma lembrança da cidade, não pensou em nada mais que fosse a cara daqui do que roupas de esporte. Nesse nível.

O povo aqui é tão aficionado por trilha que existem guias, como o “7 Fjellsturen“, ou o passeio das 7 montanhas. São 25km de subida e descida. Ah, e muita natureza. Pra quem acha que 7 é muita coisa, pode escolher a opção menor, com apenas 4 montanhas.

7Fjellsturen_1

E são muitas as opções de trilha aqui. Acho que não tem um número oficial, mas faz a contas: são basicamente “7 montanhas” (que na verdade são 12). As principais são pontos turísticos e por isso possuem vias principais de subida; a partir delas temos as trilhas menores e depois inúmeras ramificações por dentro da floresta. Além de variar o caminho, varia também o grau de dificuldade. Mas trilha é trilha: sempre tem a parte que sobe.

Então, quando em Roma…

Bjørn e eu fomos subir o morro fazer a trilha que tem aqui perto de casa. É por dentro de uma fazenda que se chama Fjørdanger Hovdgård. Você começa o passeio por entre as ovelhas e cabras, passando pelo Kurt e Erna, os porquinhos, e depois galinhas e cavalos. Estamos sempre escolhendo o por onde vamos seguir, pois além das constantes bifurcações, sempre vemos caminhos que vão por dentro da floresta. Bjørn, sendo um aventureiro nato, sempre escolhe esses caminhos. E lá vou eu por dentro do mato, pisando na lama, escorregando no cascalho, pulando galho, pensando que se a gente se perder vai demorar uns bons quatro dias até alguém nos achar… mas continuamos subindo, trabalhando coxas e glúteos e, apesar de não suar, porque está 10 graus, a respiração fica ofegante e você quase pode dizer que está com calor. E quando a falta de ar é tanta que não se consegue falar e você acha que aquela gota de suor está prestes a escorrer na sua testa, dois locais passam na sua frente. Correndo. Conversando. Como se isso fosse normal, como se eles subissem esse morrinho todo dia. É isso! Eles sobem. Aí você abre caminho e deixa os experientes passarem.

Nós fomos nessa trilha duas vezes, por caminhos diferentes e sempre tenho essa sensação: primeiro de que estou seguindo um caminho novo, ou subindo por um lugar difícil, aí vem alguém esfregar a realidade na minha cara. Mas, calma que esse é apenas o início do meu segundo mês aqui. Promessa de fazer o passeio das 7 montanhas no ano que vem! Ou Desafio?

Para ver mais fotos é só clicar em Pictures ali do lado.

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