E voltamos a programação normal

Depois de qualquer coisa que faço, gosto de parar e pensar um pouco em como tudo foi feito. Na verdade eu sempre gosto de pensar de mais nas coisas, às vezes ajuda, às vezes não. Na maioria das vezes ajuda.

A primeira coisa que me veio a cabeça foi que vir para Noruega é bem parecido com ouvir música experimental pela a primeira vez: no começo você não entende muita coisa, não sabe do que se trata e se sente um pouco sozinha num meio inóspito. Porém a partir do momento em que você abre seu coração, você começa ver a beleza, entender os sons, como funciona e cria coragem de conversar com outras pessoas. Tá certo que você ainda não entende tudo, mas já entende muito mais do que quando começou.

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A melhor pior semana de Bergen.

Essa semana que passou era para ter sido a semana mais difícil desde que vim morar aqui. Segunda passada meu marido viajou a trabalho para ficar uma semana fora. E viajou para onde? Para o Brasil é claro.

Já era sabido que mais cedo ou mais tarde essa viagem ia acontecer. Houve até uma vez que ele quase viajou as pressas e sem aviso prévio e eu quase entrei em colapso com a ideia de ficar sozinha na cidade. Pelo menos a viagem dessa vez foi planejada com antecedência suficiente para que eu pudesse organizar as ideias e não surtar e acabar deprimida no sofá os 7 dias.  Mas melhor do que planejar é ver as coisas acontecerem melhor do que o planejado

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Como transformar uma quinta num sábado.

Já dizia a Calcanhoto: Cariocas não gostam de dia nublados. E se não gosta de dias nublados com certeza não gostam também de chuva. Basta uma garoinha pra ficar todo mundo dentro de casa, o dia todo no sofá. Agora imagina acordar, já no frio, e olhar pra janela e estar nevando? E já tá nevando faz umas 3 horas, pelo menos, e já tem uns 5 cm de neve lá fora. É lindo ver a neve a caído e tudo ficando branquinho, e é bem possível que depois queira ir lá fora brincar com a neve.

Tenho certeza também que a vida aqui continua como se nada fosse novo, todo mundo foi trabalhar, todo mundo foi estudar e todas as lojas abriram na hora. Os e-mail foram respondidos e vai todo mundo sair pra almoçar daqui a pouco. Essa é a vida no gelo, o tempo não te impede de fazer nada.

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Norueguesas não sentem frio.

Vamos estabelecer dois fatos: 1) norueguesas não sentem frio e 2) norueguesas, em sua maioria, tem perna fina.

Tendo esclarecido isso posso afirmar que é quase impossível achar uma calça jeans pra mim. Porque além de brasileira e possuir um darrière avantajado, comparando mais com as nórdicas do que com as brasileiras, sou gordinha, não com muito orgulho, mas com menos vergonha do que deveria.

Devo ser um caso raro de gordinha que sente frio, mas sinto, e já sentia no Rio de Janeiro, com mínima de 24ºC. Então me ensinaram o poder das camadas e da lã. Bem, vocês podem imaginar o que camadas de lã adicionam ao meu perfil. O resultado é a completa frustração ao tentar achar uma calça jeans, porque além de vestirem roliças coxas elas precisam também cobrir as, no plural mesmo, meias-calças.

Pra piorar eu não estou acostuma a comprar em lojas aqui, a numeração é diference, os modelos também, isso torna a procura um pouco mais exaustiva. No Brasil eu já sabia o que ficava bom, em que lojas tinham modelos que achava que me serviam melhor, então, mesmo sendo gordinha de perna grossa, eventualmente achava alguma coisa.

Aqui você nas lojas mais “populares” Cubs, H&M, Lindex, os modelos se resumem a skinny cós baixo, skinny cós alto, super skinny, shaping skinny regular fit, super skinny super cós baixo…. e isso é cópia do que esta escrito no site da H&M Norge. Sem ser dramática de mais, existe dois tipo que acho que daria mas que nunca achei o meu tamanho na loja física. Isso porque ainda tenho certa compostura e me recuso a experimentar o jeans de mãe. Os outros pode não saber, mas EU vou saber.

Tudo isso pra dizer que me identifiquei, imensamente, como se aquela fosse eu, com um trecho do livro  “Not That Kind of a Girl” da Lena Duhan, escritora americana, famosa por escrever e atuar na série da HBO, Girls. Ela diz assim:

“As calças nunca me servem, a menos que eu vá na seção de maternidade, então compro basicamente vestidos sem cortes e casacos de tricô engraçados*”.

E é isso que eu tenho vestido, muitas camadas de meias-calças, vestidos e por enquanto são sweaters normais, mas tem cada um que quero comprar:  de natal, coloridos, de texturas diferentes, pq afinal é só isso o que as pessoas vão ver do meu outfit.

Ainda estou no primeiro capítulo, mas a introdução do livro, ou quase a justificativa que ela dá porque a história dela é importante de ser contata e ouvida já vale muito a indicação. É mais sobre como você pode aprender como os erros de uma pessoa comum que faz besteiras e passa por muitas, muuuuitas no caso dela, situações embaraçosas. E acredito muito na desmistificação de modelos atrizes e personagens famosos e apesar de algum jeito ter glamour na vida dela, porque agora ela é famosa, granhou emmys e tudo mais, é muito fácil de se relacionar com as coisas que ela conta. De novo, estou no primeiro capítulo, mas como falei para minhas amigas, ela cita Angela Chase, não dá pra ficar ruim. Fica a dica de presente de natal pra vocês o livro dela.

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* – estou lendo o livro em inglês, então essa tradução foi minha, livre.

Bergen, Noruega.

Bergen é a segunda maior cidade da Noruega, ficando atrás somente da capital, Oslo. É daqui que se começa uma viagem por entre os Fiordes, o que torna a cidade um centro turístico com gente de todo o canto do mundo. Não é nenhuma Nova York mas você escuta muitas línguas diferentes caminhando pelo famoso Fisktorget, ou o Mercado de Peixe, no centro da cidade.

Foi oficialmente fundada em 1070 AC. Cada canto da cidade é cheio de história e muitas das fachadas originais foram mantidas. Umas das atrações principais é o Bryggen, lindas casinhas de madeira na beira da baía, que se tornaram patrimônio da humanidade em 1979.

Brygge

Brygge

A cidade é cercada pelo mar e por montanhas. Sete Montanhas como eles chamam, mas que na verdade são mais, onze no total, e as mais famosas são o Fløyen e Ulriken. E talvez por esse motivo, as pessoas de Bergen AMAM fazer uma trilha. Tudo aqui é trilha. Esse é o principal hobby de todo mundo. Você coloca seu tênis especial, sua roupa de ginástica, seu casaco corta vento e vai. E na maioria das vezes, vai correndo. E não importa se está sol ou não, mesmo porque aqui chove muito. Chove tanto que quando você procura Google ele fala que aqui é a cidade que mais chove no mundo. E quando neva o pessoal aproveita e faz cross-country. Eles gostam muito de exercício ao ar livre.

Claro que nem só de exercício vivem os “berguenses”. A cidade é um polo cultural e você pode encontrar um pouco de tudo: shows (principalmente de música clássica e de blackmetal), exposições, festivais de cinema, peças de teatro… E muitos desses e outros eventos acontecem ao ar livre, na Festplassen, um linda praça com um grande lago no centro da cidade. É aqui que eles comemoram o 17 de Maio, o dia da independência.

Festplassen

Festplasse

E pra quem gosta da noite, Bergen também é uma boa pedida. Por ser uma cidade universitária você encontra muitos bares e boates lotados de estudantes bêbados. Até agora posso dizer que temos dois lugares favoritos. Garage que é um bar/casa de shows de rock. Um Emporio maior e, sempre dá pra ser, melhor. Apollon uma loja de discos/café super moderna e aconchegante, com muita variedade de disco, vinis (punk/indie/black metal) e cerveja.

Com o tempo vou contando mais dos novos lugares, das novas trilhas e dos próximos eventos.