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O que eu mais sinto falta.

Essa semana fez seis meses que estou morando na Noruega.  E o que são seis meses dentro de 33 anos (faltam 21 dias OMG!)? Colocar coisas em perspectiva me ajuda muito.

É difícil dizer do que eu mais sinto falta. Pessoas, família, comida… tudo faz parte de um tempo e de um conjunto que não é meu presente, então dizer o que mais sinto falta é bem complicado. E essa dificuldade de dizer uma coisa me deixa bem feliz, porque quer dizer que estou me adaptando bem aqui. Coisas materiais não me fazem mais tanta falta.

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Bergen sua linda ou: como arrumei um trabalho aqui.

Semana passada foi de acontecimentos. Foi uma semana que fiz muitos contatos e que novos projetos começaram e me fez sentir que Bergen gosta de mim.

Tudo começou através de uma amiga portuguesa que postou sobre trabalho voluntário em um festival de música experimental que vai acontecer no início de março. Só para explicar um pouco, acho que aqui é bem comum trabalho voluntário em diferentes lugares e não necessariamente só pra ajudar os que precisam. Além de diferentes festivais de música, já vi também casas de show/bares terem em seus sites um cantinho reservado para frivilling. Eu, que já estava me escrevendo para um outro festival que vai acontecer em junho, pensei em porque não me inscrever nesse também?

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Estações

Na escola a gente aprende sobre clima, tempo e sobre as quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. A gente cresce ouvindo falar desse tal de inverno mas aos poucos vamos percebendo que em país tropical não é bem assim. No Rio de Janeiro temos verão e menos verão e é isso. Os cariocas juram que 20ºC é inverno, mas só enganamos a nós mesmos.

Outra coisa que aprendemos no Brasil é sol nasce as 6/6:30 e se põe as 18:30/19h. E ao meio dia a gente sabe o que sol tá a pino quando nosso cucurutos começam a ficar bem quente e bem no meio do céu.

Aí você vem morar no fim do mundo na Noruega e descobre um novo significado para as estações. É quem nem quando se vai no museu pela primeira vez e vemos todas aquelas telas que antes só existiam nos livros, mas agora elas estão bem na sua frente, em tamanho real. Você pode até tocar, só não faz porque o guardinha tá ali, mas poderia.

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O “ó” tem som de “u” – på norsk

Não é que aprender norueguês seja difícil, mas não é fácil também.

O fato de todo mundo falar inglês é uma enorme barreira. Por mais que eu queira exercitar o que aprendi, meu vocabulário é curto, uma vez que faz apenas três meses que estou aprendendo. Assim, quando vou a uma loja, por exemplo, começo com norueguês, mas quando chego na terceira frase eu já gastei todo meu vocabulário, já estou suando e gaguejando, não resisto e “then I start to speak in english” . E aí a conversa curta do meu pobre e mal conjugado norueguês se transforma. Os próprios noruegueses não tem muita paciência. Acham lindo que você esteja se esforçando pra aprender um língua confinada a um país, mas depois de dois minutos já voltam a falar com a velocidade normal e isso torna impossível você entender algo.

Aliás, ouvir é muito difícil. Todo mundo diz que eu e minhas amigas falamos rápido, então, claro que eu também acho que aqui eles falem rápido, mas o pior problema não é nem esse, é que, mais uma vez, como eu não domino a língua, além do sotaque, eles vão juntando palavras e mais palavras e formando uma outra. É como uma casa de verão na praia. Aqui seria algo como casadeverãonapraia, só que com muitos mais “k’s”, “ø’s” do que no Brasil. Por exemplo, batedeira aqui é a união das palavras “cozinha = kjøkken” e “máquina= maskin”ou kjøkkenmaskin. De novo, não é que seja difícil, mas primeiro você leva um susto com a quantidade enorme de consoantes, ai depois você entende que são duas palavras, aí você traduz. Então você perdeu quase um minuto em uma palavra. Até aqui meu texto já possui 287 caracteres. Imagina num diálogo?

E o que são os ditongos daqui? Mas pra aprender os ditongos é bom saber as vogais: A E I O U Y Æ  å ø (não consegui nem achar como colocar essas duas últimas em caixa alta no teclado). O “a” e o “é” são as mesmas coisas. Mas ó tem som de ú!!! E o “æ” é o som de uma ovelha berrando (exatamente assim que me ensinaram), o “å” tem som de “ô” e “ø” parece “oa”. Agora os ditongo: ei, au, øy, ai e oi. Lembrou de tudo?

Por isso que eu disse que mesmo não sendo difícil não é muito fácil. Eles não tem não muitas palavras, como os franceses mas os verbos não são fáceis quanto os ingleses. E um coisa me me perturba profundamente: alguém sabe me dizer porque em norueguês quase não tem palavras que começam com a letra “c”? Já olhei dicionários gigantescos e o número de paginas não passa de duas ou três no máximo, e a maioria das palavras são de origem inglesa. Vai saber…

E vai um vídeo nosso passeando aqui perto de casa 🙂 É o primeiro vídeo, então ainda está bem simples.

A música é da banda norueguesa Kråkesølv e chama “Ikke rart vi blir sprø“.

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På TV

Eu assisto muita televisão, eu confesso. Eu sou dessas que fazem tudo com a televisão ligada, quando chego em casa é umas das primeiras coisas que faço. Era assim no Brasil e não está sendo diferente aqui na Noruega. My guilt pleasure.

Minha sorte é que, como tudo mundo fala inglês, tem muitos programas de língua inglesa e nada é dublado. Claro que estou falando de TV a cabo. Tenho um pacote básico, com não muitos canais, e acho que uns 4 são de conteúdo nacional, o resto é gringo, sendo apenas um em sueco e o resto em inglês. O que mais passa aqui é reality show: Idol, The Voice, Master Chef Norge e mais um monte que ou eles “copiaram” ou criaram. Outra coisa que eles adoram são os reality de leilão, como Storage Wars, Storege Huntes, Container Wars e outros, além dos Pawn Shops: Las Vegas, Detroid Louisiana. E, não entendi muito bem como isso acontece mas, How I Meet You Mother, passa todo dias, em dois canais diferentes. É o “friends” deles. E aqui temos Discovery Channel, History e TLC, como os mesmos programas que passam no Brasil. Não é que a gente sinta falta, mas é estranho chegar em casa na hora do almoço e não ter o RJTV ou de noite não ter novela (o Bjørn sente falta), mas é uma maravilha não ter Faustão no domingo! Ah, e fim de semana! Principalmente sábado de manhã é uma falta de criatividade dos progamadores, passam em sequencia 4 à 5 episódios da mesma série. Em quase todos os canais é a mesma coisa, como as maratonas da Warner, mas em todos os canais. Então apesar de estar aqui, a televisão e os programas são bem parecidos.

Mas o motivo desse post, são os comerciais. É claro que tem monte que eu não entendo, mas que você pega a ideia e acha muito irado. Confesso que a maioria é bem meia bomba, como músicas fracas e sem muito apelos, mas esses me fizeram parar para ver e re ver e publicar aqui. Separei quatro que acho fantásticos. Divirtam-se!

Um dos meus favoritos é sobre a promoção de fraldas de um supermercado: a quarta sai de graça. Quem ia imaginar fazer um promoção de fralda com crianças gangster style?

 

O segundo é de um site de classificados. Eles que é tão fácil publicar ou achar coisas que até um gato faz, e essa gato é o mascote de todas e diferentes propagandas. Nessa o gato quer fugir comprando uma passagem de avião adivinha pra onde?

O terceiro é de uma loja de utilidades. É uma das maiores aqui e eles tem de tudo. O que fazer quando uma lâmpada queima? É simples, mas você fica com a música na cabeça o resto do dia.

O último é genial. É um sueco, o que faz ser mais engraçado, comprando é como se ele fosse argentino, que fica dando ideia errada, como aquela vozinha chata. É um anuncio de yogurt e ele fala pra você matar a sua fome. Divirtam-se.

 

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O dia mais feliz da minha vida.

E como eu vim morar com um norueguês na Noruega, uma das exigências do meu pai era que nós nos casássemos antes de virmos, precisávamos casar oficialmente (já moravamos juntos fazia dois anos) para facilitar o processo de imigração. E esse dia foi um dos mais felizes da minha vida. Não porque estávamos casando, não porque esse dia simbolizaria o início da nossa família e muito menos porque estávamos formalizando nossa promessa de amor eterno. Tudo isso já existia e acredito que todos nossos amigos e familiares já sabiam disso. Vou tentar explicar porque esse dia foi tão especial.

Bjørn arrumou um trabalho na Noruega, yada yada yada, e em dois meses a gente estava com quatro malas e cuia dentro do avião. Nesses 60 dias tivemos que correr contra o tempo para juntar um monte papelada, e dinheiro, para dar entrar com o pedido de casamento no cartório. Confesso que fiquei muito frustrada com a forma que tudo estava acontecendo. Te dou um dado? 73% das mulheres sonham com sua festa de casamento. Dentre essas, 93% sonham com a festa de casamento desde o dia em que foram, de fato, pedidas em casamento. Eu, fazendo parte dessa estatística, já tive pensado e repensando aonde queria me casar, quem eu ia convidar, como ia ser meu vestido, a decoração… Com apenas dois meses pra planejar, eu sabia que não ia poder ter nada disso. Pelo tempo e pelo dinheiro. Precisávamos pagar rescisão de contrato de aluguel, passagens de avião, o casamento no cartório, inúmeros documentos que precisavam ser traduzidos oficialmente… qualquer gasto extra era impensável. Até a lua de mel seria adiada.

O que eu ainda não contei, eu acho, é que o noivo já estava na Noruega, e que ia voltar só por dois motivos:  1) claro, pra casar comigo; 2) Para o casamento do irmão dele, no qual seríamos padrinho e madrinha. Com pouco tempo de trabalho, ele não poderia tirar muitos dias de folga pra vir fazer tudo isso. Ou seja, ele chegava na quinta a noite, assinaríamos os papéis no cartório na sexta de manhã e no sábado seria o casamento do irmão dele e, finalmente domingo, embarcaríamos rumo à Escandinávia.

Teimosa e orgulhosa como sou, decidi que então não teria nada também. Não dava pra ser do jeito que eu queria comemorar, então Bjørn ia ficar me devendo um festa bem linda depois, com todos os meus amigos, um vestido bem caro e tudo mais que eu quisesse. Com latas atrás do carro e lua de mel!

E assim começa a história do dia mais feliz da minha vida.

Minhas super amigas com visão além do alcance, me encurralaram num canto e decidiram que iam fazer alguma coisa pra gente e para eu para com essa babaquice bobeira de não querer ter festa. Afinal de contas elas também queriam se despedir da gente e de participar desse dia.

Foram necessárias algumas sessões de terapia até eu aceitar que eu ia ter uma festa de casamento, que não seria do jeito que eu tanto sonhei, e que eu não ia poder fazer nada do jeito que eu queria… depois de muito espernear eu aceitei no meu coração.

E foi lindo. Todo mundo ajudou, cada um fez um pouco aqui e um pouco ali e ficou igual aqueles casamentos em casa que você vê nas revistas. E foi assim que eu me senti: como se meu casamento tivesse saído da revista. Eu adoro dizer isso, mas é verdade, veio gente do mundo todo. Veio até gente da África. E acho que chorei mais quando vi um dos meu melhores amigos ali na porta do cartório, vindo diretamente de Nova York, só pro casamento do que de fato no casamento. E a festa durou oito horas: teve cerimônia, teve flores, teve buquet, teve bolo, teve lembrancinha, teve Paçoquita, teve Polaroid, teve garçom que também era cinegrafista e filmou a cerimônia… mas não, infelizmente não pude chamar todo mundo que eu queria, mas de alguma forma, foi tudo… PERFEITO.

Antes que eu fique mil horas falando de como tudo foi lindo e maravilhoso, tem uma pequena amostra aqui.


Since I was coming to live with a Norwegian in Norway, we needed to officially marry (because we were already living together for the past two years) for the immigration process. And that day was one of the happiest of my life. Not because we were getting married, not because that day symbolizes the beginning of our family and a lot less because we were formalizing our promise of eternal love. All this was already there and I believe that all our friends and family knew that. I’ll try to explain why this day was so special.

Bjørn got a job in Norway, yada yada yada, and in two months we were inside the aircraft. In those 60 days we had to race against time to put together a lot paperwork, and money, really get married. I confess I was very frustrated with how everything was happening. Scientific research says that 73% of women dream about their wedding party. Among these, 93% dream of a wedding party since the day they were in fact proposed. I wasn’t any different. I had been thinking about where I wanted to marry, who I was going to invite, how would be my dress, the decor … With only two months ahead to plan, I knew it would not be able to have any of that. We had to save money because of the moving … any extra expense was unthinkable. Even the honeymoon would be delayed.

What I have not told you is that the groom was already in Norway, and would return only for two reasons: to marry me and for his brother’s wedding, which we would be godparents. Being new at work, he could not take many days off. So he arrived Thursday night, we would sing the papers on Friday morning and on Saturday was the brother’s wedding and finally, Sunday  we would fly towards Scandinavia.

Stubborn and proud as I am, I decided that I should not have anything. If it could not be the way I wanted to celebrate, then it wouldn’t. Bjørn would owe me a very beautiful party later with all my friends, a very expensive dress and everything else I wanted. With cans behind the car and a honeymoon!

And so begins the story of the happiest day of my life.

My super friends, cornered me and decided they were going to do something for us and it was for me to stop being silly about  not wanting to have a party. After all, they also wanted to say goodbye and be part of that day.

Few sessions of therapy were necessary until I accept that I was going to have a wedding party, and it would not be the way I dreamed so much about, and I was not going to do anything the way I wanted.

And it was beautiful. Amazing. Everyone helped, everyone helped a little here and a little there and it looked like those weddings at home you see in magazines. And that was how I felt: as if my marriage was on the magazine. I love to say it, because it’s true, people came from all over the world. There were people coming from Africa. And I think I cried more when I saw one of my best friends, coming directly from New York just for the wedding than the actual marriage. And the party lasted eight hours: it had a ceremony, flowers, a bouquet, cake, souvenirs, Paçoquita, Polaroid, and a waiter who was also a videomaker and filmed the ceremony … but no, unfortunately, I could not invite everyone I wanted, but somehow, everything was … PERFECT.

Enought with the writing, here it is small sample here.