A carta e a apelação.

E numa bela manhã fui na caixa do correio verificar se algum amigo havia me mandado um cartinha à moda antiga e acabei encontrando algo muito pior. Na hora meu coração pulou, um sorriso apareceu no meu rosto, pois assumi que no envelope timbrado da UDI vinha, finalmente, meu visto. Ledo engano.

Esperei chegar em casa e sentar no sofá para abrir o envelope e naquele momento, todo o meu pouco norueguês desapareceu do meu cérebro. Eram 4 páginas, frente e verso, completamente escritas em norsk. Meu coração acelerou mais ainda porque não me pareceu certo usar tantas palavras pra dizer “bem-vinda à Noruega”.

Nem acreditei quando traduzi a frase em negrito e ela dizia: Seu visto foi negado. Você tem que deixar o país em 3 semana. Faltou só o “beijos e tchau”. Tremia e soluçava e na minha cabeça só aparecia a minha própria imagem de mala e cuia voltando pro Brasil. Era a imagem da derrota de sonhos e desejos, de insucesso, de incapacidade e principalmente de não ser bem-vinda em algum lugar.

Tive que segurar todos esses sentimentos e tomar coragem de ligar para o Bjørn, que estava no trabalho, e dar-lhe a notícia. “Oi, tudo bem? Então, meu visto foi negado e tenho que ir embora em 3 semanas”. Só que com muito mais choro e soluço. Definitivamente um dos piores dias da nossa vida. Até Bjørn chegar em casa eu só chorava e olhava pro papel sem nem entender direito o que tinha acontecido.

Passado o choque, chegava a hora de ser prática e precisa. Ligamos para um amigo da família, que, além de ser norueguês, é a pessoal mais calma do mundo. Ele foi quem nos guiou/apoiou ao longo de todo o processo. Eu digo que se ele fosse um personagem, ele seria o Yoda. Ou seja, o mestre estava do nosso lado.

Explicando o problema e como resolvê-lo.

Quando você aplica aqui para o visto de reunião familiar, sendo você brasileiro e seu marido/mulher norueguesa, dentre os inúmeros documentos que você tem que entregar, (veja aqui a lista), talvez o mais importante seja a comprovação de que o seu “patrocinador” ganhou o mínimo exigido pela UDI no ano anterior.

You must have an income of at least NOK 252 472 per year pre-tax and have earned at least NOK 251 856 in 2014 pre-tax. You cannot have received social security benefits during the last 12 month.

No meu caso, apliquei no meio do ano e por isso não tínhamos a declaração de imposto de renda brasileira do ano de 2014. No lugar entregamos uma carta do antigo trabalho do meu marido declarando os rendimentos. Aparentemente a UDI resolveu declarar esse documento. Assim nos enquadramos no quesito “você não tem dinheiro o suficiente para morar aqui, mesmo que você já esteja morando aqui há um ano”.

Entre as 4 páginas, frente e verso, dizia que se seu pedido foi negado, você pode apelar à decisão. A UDI vai rever seu caso e então você pode ficar no país até que o novo pedido seja processado.

When you appeal, you must explain why you believe that the first decision you received was incorrect.You must have new information or documents in your case. If you do not, your appeal will most likely also be rejected.

Já com a declaração de imposto de renda brasileira e norueguesa em mãos, nosso amigo norueguês nos ajudou a escrever um linda e breve carta em norueguês enumerando todos os novos documentos e porque eles não foram incluídos antes.

Durante esse processo, consideramos consultar um advogado para dar um opinião legal sobre nosso caso, pois muitas dúvidas surgiram como “era possível combinar os rendimentos dos dois países? deveríamos colocar mais uma pessoa como “patrocinador”? só esses documentos seriam suficientes? Porque a UDI não reconheceu o documento previamente anexado?”

Ninguém sabia um advogado para indicar. Consultei muitas brasileiras e noruegueses e a resposta ou era “nunca precisei de um” ou “fale diretamente com a UDI” ou ainda “você vai gastar dinheiro á toa”. E acho que essa é a verdade aqui, ninguém precisa muito de advogado, todas as informação estão a sua disposição.

Confiante, mas com frio na barriga, em uma semana entreguei a carta na polícia aqui e me vi esperando mais uma vez pelo visto.

Meu caso é muito comum. Muitos,  de várias nacionalidades, têm o visto negado por não terem como comprovar os rendimentos que a UDI considera mínimo. Dinheiro na conta ou na poupança não conta. Não importa também o quanto VOCÊ ganhou. Ou seja, ao longo do ano anterior, seu “patrocinador” não tem como comprovar que você ganhou o mínimo, nem perca tempo aplicando, pois é HORRÍVEL receber uma carta dizendo que você tem que deixar o país. Deixe seu marido ir na frente e aí perto dos 12 meses você muda e aí aplica.

E vale lembrar que esse “mínimo”, apesar de ser um montante quando convertido para real, ele não é muito comparado com a média ganha pelos noruegueses. Se você é norueguês e ganha isso, você pode aplicar para receber uma ajuda do governo, porque eles sabem que isso não é muita coisa.

Finalmente, mais ou menos dois meses depois, recebi, agora via e-mail, um breve texto, que apesar de não pedir desculpas nem de dizer seja bem vinda, dizia que meu pedido de residência tinha sido aprovado. Chorei de felicidades, ganhei flores, espumante e fui comemorar!

No próximo, conto como um e-mail vira um cartão de permanência, CPF e conta no banco.

* todos os texto em inglês foram retirados do site da UDI.
** vale lembrar, sempre, que esse é o MEU caso. Não é verdade única nem é uma regra de como você tem que aplicar para o seu visto.

Eu, o visto e a burocracia.

Faz meses que não posto por aqui e muita coisa está acontecendo desde então.  Porém, a única verdade é que estou enrolando para escrever porque são muito detalhes para dividir.

Resumindo MUITO, num período de 4 meses meu visto foi negado, eu apelei, ele foi aceito, fiz meu cartão do visto, tirei meu “CPF” norueguês, viajei para Praga, abri uma conta, me inscrevi para apreender mais norueguês, arrumei um trabalho.
Porém isso excluí todo o nervosismo, toda a burocracia, todas as pegadinhas e todas as dicas que me deram de como proceder em cada ocasião.

E durante todo esse processo, foi muito importante contar com amigos noruegueses que pudessem traduzir os documentos, brasileiros que pudessem dividir as experiências e de demais nacionalidades para dar apoio moral ao longo de todo esse processo.

Ao longo dessa semana quero dividir com vocês o MEU passo-a-passo ao longo de todo esse processo que, apesar de lógico e simples, pode ser confuso pois, no meu caso, as informações sobre como fazer tudo nem sempre é tão clara.

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364 dias depois

Há exatos 365 dias atrás eu entrava no carro em direção ao Aeroporto Internacional do Galeão, com duas malas de 32kg, rumo à Noruega, deixando para trás amigos, família, sobrinho na barriga da mãe, o sol, o calor, e mais um monte de coisas que, mesmo depois de 12 meses, ainda me fazem falta.

Não foi fácil e ainda não é fácil viver aqui e escolher estar aqui. Entretanto é maravilhoso poder viver em outro país, aprender outra língua, viver em outra cultura, conhecer novas pessoas… é um mundo se abrindo diante dos meus olhos.

Bergen com toda sua chuva me fez entender que existe vida em dias nublados, que não é porque está chovendo que vai ter muito trânsito e que tudo ainda vai estar funcionando como se fizesse 40ºC. Aliás, Bergen me fez esquecer o que é sensação térmica de mais 30ºC e fez acreditar que 25ºC, quando faz, é verão.

Aprendi também aqui que não precisa ser uma cidade grande como São Paulo para ter shows legais ou programas culturais interessantes. Basta oferecê-los que as pessoas irão. E é impressionante como as pessoas vão, mesmo com chuva! Deveriam fazer uma pesquisa sobre acontecimento único.

Mas esse post é uma celebração ao  Brasil e de como certas coisas fazem parte da cultura local e que essas coisas são difíceis de importar.

Aqui vai então a minha lista de coisas que sinto falta no Brasil/Rio de Janeiro e que vou fazer assim que tiver a oportunidade de visitar. A maioria envolve comida, eu sei, mas para mim comida tem um significado maior e muito emoção e memória ligada à ela.

Acho que minha “comida” favorita é pastel, mas o que eu mais sinto falta aqui não é de pastel, mas de acordar aos sábados e ir na feira da General Glicério, comer um pastel de feira e tomar um caldo de cana com limão enquanto penso no almoço de sábado: uma boa paleta de porco, sobre-coxa de frango ou melhor ainda, uma boa muqueca de namorado ou um ceviche.  Sem dúvida umas das minhas melhores memórias de quando morava em Laranjeiras e só gringo pode pensar em sugerir um passeio no Fisktorget daqui como substituto. Apesar de ser um ponto turístico, o mercado de peixe daqui é para turista e nem tem um terço das variedades que encontramos nas nossas feiras. Não estou dizendo que é ruim, só é diferente.

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Amores na feira

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Já que estamos falando de feira, outra coisa que sinto falta aqui são nossas frutas. A globalização tornou possível o acesso à frutas tropicais, mas aqui só tem um tipo de banana, a manga não tem cheiro e é impossível fazer um mousse de maracujá aqui. Algo tão comum para mim era comer o mousse de maracujá feito à partir do suco concentrado. Só vi maracujá pra vender uma só vez, junto com as frutas exóticas,  e nem era como o nosso maracujá,  que é amarelo por fora, e custava 29 coroas duas unidades pequenas – algo em torno de 13 reais. Verdade seja dita, eu até como mais frutas aqui do que no Brasil: mais ameixas e nectarinas, muita tangerina na época do natal e todas as “berries” que você possa imaginar: cereja, mirtilo, oxicoco, amora, framboesa e morango. Porém, quando eu chegar no Brasil, quero manga espada e manga palmer, comer de escorrer pelos braços, fruta do conde, picolé de graviola e uma penca de banana prata. E mousse de maracujá, claro.

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Banana Prata R$1,99

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Talvez por bebida alcóolica em geral ser o olho da cara, aqui não se tem o hábito de sentar num bar e ficar pesticando frituras gordurosas e deliciosas enquanto toma-se aquele chopp. Quando norueguês vai beber num bar ele come amendoim e outras nuts. Aos poucos até percebo a ideia de tapas ficando mais popular, mas ainda assim é bem diferente do nosso informal chopp e petisco. Pode ser os pastéis de feijoada do Mineiro, as empadas de camarão do Caranguejo ou qualquer um dos itens do cardápio da Kátia Barbosa, não tem sensação melhor de estar passeando e decidir parar num bar, pedir um chopp e dois pastéis, relaxar e não se preocupar se perder a hora do almoço. Esse conceito, entretanto, vai contra tudo o que os norugueses acreditam: planejamento, pontualidade e comida saudável. Depois de tanto petisco, tô achando que vou conciliar minha visita ao Brasil junto com a próxima edição do “Comida de Buteco”.

Essa, só quem é carioca vai entender: mate com limão e biscoito Globo na praia. E nem precisa explicar muito porque a combinação praia + sol + mate + biscoito globo é tão carioca quanto é gostosa. A matemática é clara. Esse itens sozinhos são bons, mas juntos eles se completam e formam o quadrilátero da perfeição do final de semana carioca. Aqui tem praia e as vezes tem sol. Minha mãe trouxe mate para mim e eu até poderia fazer biscoito globo. E num milagroso sábado de sol do ano eu poderia combinar todos esses elementos numa praia daqui, mas alguém acredita que ia ser a mesma coisa?

Outra coisa que pode ajudar a vocês entenderem minha lista são minhas origens. Minha família veio do nordeste e se tem uma coisa que lembra minha infância e minhas férias na casa dos meus avós e primos, são as comidas nordestinas. Eu como farofa como os noruegueses comem batata! Tem dias que desejo um arroz branquinho recém feito com a feijoada da minha mãe. Sem falar na rabada que ela faz! Já tô salivando só de pensar. E não precisa nem ir até o nordeste para pensar em comida gostosa. Tem dias que sinto falta só daquele galeto com batata frita e molho à campanha. Claro que tem galinha aqui e eu poderia fazer um frango assado. Mas qual é a graça de fazer seu próprio frango assado?

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Feijoada!!!

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Sempre impliquei com minha mãe porque ela cozinhava prum batalhão. Comida lá em casa podia não ser chique, mas nunca faltou. Mesa farta pra duas, quatro ou dez pessoas. Enquanto por aqui, já ouvi dizer que, antes da refeição, eles perguntam quantas batatas você que comer. Verdade ou não, nunca cheguei a ficar com fome, mas nunca vi uma mesa tão bem servida quanto nas festa de família. O mesmo vale para restaurantes. Onde já se viu um brunch com pouca comida? E qual a graça de ir num restaurante japonês e não ter rodízio? Será que preciso falar alguma coisa sobre nossas churrascarias? Com a cabeça de gado mais caro que o barril de petróleo, agora entendo esse frenesi gringo em torno do nosso churrasco. Dependendo da hora que chegar meu vôo, acho que prefiro passar no Porcão Rio’s antes de tudo (se bem que já ouvi dizer que eles não estão tão bem das perna não…)

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Perdeu @loadbruno! De novo.

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Existem claro outras coisas, como chopp na mureta da Urca, comprar vinho na hora e aonde quiser, morder as coxinhas do meu sobrinho, ensinar minha sobrinha a fala “tante Gaby” (tia gaby em norueguês), tirar cochilo no sofá da minha mãe, pic-nic na Lagoa com as amigas, Stand Up Paddle no posto 6 e a lista continua sem fim.

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Stand Up Paddle Crew! #standuppaddle

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Um ano morando na Noruega me ensinou, entre tantas coisas, duas em particular: comer na rua é extremamente caro para ser feito regularmente e, por isso, desenvolvi, e muito, minhas habilidades culinárias que hoje vão muito além do bife com arroz e feijão. Até quando o assunto é cozinha, eu posso dizer que saí da minha zona de conforto e, apesar de ter variado e aumentado meu livro particular de receitas, vai sempre continuar existindo pratos típicos que vão me lembrar pessoas, lugares e momentos  que por mais que eu repita aqui, vai faltar aquele temperinho que só encontro na casa da minha mãe, na mesa com meus amigos e naquele bafo do verão carioca.

Deixe estar Rio de Janeiro, e agora São Paulo também, que um dia eu chego de volta aí e vamos ter muito o que conversar.

Pode deixar nos comentários o que você sente ou sentiria falta, se fosse você. Tente não ficar no básico de família e amigos.  Fecha o olho e se imagine acordando naquele lindo dia de sol e que você é seu único compromisso. Pode ser qualquer coisa.

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Querida Oslo – Parte 1

Sem trabalho e sem visto minhas opções de férias de verão ficaram bem reduzidas, mas não posso reclamar porque tirar férias é luxo para quem tem trabalho e  visto. Dito isso, nosso destino, quase único, foi seguir em direção a Oslo, capital norueguesa, para ficar na casa de parentes.

Depois de um ano morando numa cidade com um pouco mais de 250 mil habitantes, chegar em Oslo é parecido com sair de São José dos Campos, interior de SP, em  direção à São Paulo, capital: é bom mas é ruim. É bom porque de repente você vê um monte de gente diferente numa cidade enorme, mas é ruim porque é gente demais numa cidade que nunca termina.  Vale lembrar que Oslo tem, aproximadamente, 620 mil habitantes – ainda bem longe de Copacabana.

Oslo

Oslo

Com uma cidade tão grande assim, só mesmo dividindo o post em duas partes para pode contar tudo o que aconteceu por lá. Nada muito espetacular, mas muita coisa diferente daqui de Bergen. Vou começar falando de Oslo e pra deixar com água na boca, deixo o segundo post para falar, aí sim, das minhas lindas férias de verão Norueguês, com direito a muito sol, num lugar maravilhoso chamado Fagerstrand.

Vou te contar que Oslo, tirando os noruegueses, é muito parecida com todas as cidades européia, eu imagino. Na Europa só fui pra Espanha, mas estou assumindo que Buenos Aires é parecido com muitas cidades européias, pois é o que eu escuto falar. Arquitetonicamente falando, Oslo “modernizou-se” bem mais que Bergen, e, apesar de ainda ser possível ver algumas casas de madeira, vemos muitos mais prédios baixos com varandas, bem característico da Europa.

Em 2012 visitei Oslo pela primeira vez. Foram poucos dias no meio das chuvas e dos dias cinzas de Novembro, quando só nós, os turistas, nos aventuramos a ficar na rua. Nunca imaginei encontrar outra cidade no verão. Além das ruas cheias, bem mais cheias que três anos atrás, vemos o comércio aberto com seus produtos de lado de fora e aberto até mais tarde; feiras de todos os tipos; pessoas pegando sol no jardim; cachorros passeando; sorvetes; óculos de sol; calor e suor.

Vigelandpark

Vigelandparken

Com tanto sol, dessa vez não tive desculpa de não visitar o Vigelandsparken, ou Parque Vigeland. É um parque GIGANTESCO (320.000m²), construído por Gustav Vigeland, que é mais conhecido por suas, também grandes, esculturas.

Vou te dizer que é um dos parques mais lindos que já vi na vida. Tá, eu nunca fui no Versailles, mas ainda assim, é lindo de mais. E nem tivemos tempo de aproveitar todo o parque, de ver todo o gramado, ou de ver as exposições e outros eventos que eles organizam. Só ficamos por entre das esculturas e só isso foi suficiente para me apaixonar. Passei uns bons minutos tirando muitas fotos!

Vigelandparken

Vigelandparken

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Outra parte que gostei muito foi a região de Grunnerløkka a área hipster de Oslo. Mas de fato, lá tem um clima meio Brooklyn ou até St. Market Place, em Nova York, com suas lojinhas vintage e seus cafés chiques. Além das praças e feirinhas. Tem como não amar? Um dica, ou melhor, duas dicas de onde comer ficam nessa área:

Ostebutikken

Ostebutikken

A primeira é um bistrô MARA e SENSA chamado Ostebutikken, ou loja de queijos, onde almoçamos uns mariscos deliciosos. Cheio de personalidade e queijos, deixa você com vontade de ficar lá o dia todo experimentando tudo o que eles servem.

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Mais se você é mais ogro a dica é o Munchies, uma hamburgueria sem meias palavras. Nada de gourmet por aqui a não ser o gosto dos sanduíches. São seis opções de hamburguer, sendo um vegetariano, podendo incluir ingredientes extras e batatas fritas – fritas à perfeição – e uma longa lista de cervejas para acompanhar. Do que mais você precisa?

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Família comendo no Munchies

Aproveitando ainda nossa passagem por Oslo, não podemos deixar de ir no Øyafestivalen um dos maiores festival de verão daqui, com 4 dias de shows e mais de 280 bandas. Além de muitas  bandas internacionais famosas – vi Belle & Sebastian mais uma vez!!! – o festival é conhecido por dar espaço para banda locais, o que é bem legal!

Bilheteria do Øya 2015

Bilheteria do Øya 2015

Há dois anos o festival acontece no lindo “Tøyenparken” – outro parque, e conta com 4 palcos super bem posicionados, fazendo com que pareçam uma arena. Eles ainda oferecem água de graça e pontos de reciclagem!  Quem já foi em Rock in Rio sabe bem a vantagem de água de graça e do mar de garrafas que fica perto dos palcos. No Øya é tudo limpinho! Organização incrível!

Palco "Amfiet"

Palco “Amfiet”

E teve mais um monte de café e sobremesas que nem dá pra colocar tudo aqui se não ia virar a história sem fim! Isso porque de 12 dias, só ficamos 4 em Oslo, o resto ficamos num paraíso chamado Fagerstrand, na casa de campo da família. Só pra deixar uma água na boca, fica aqui uma foto de como eram nossos finais de tarde.

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Pôr-do-sol em Fagerstrand

Sommerferie

Julho está para Noruega assim como Janeiro (fevereiro e/ou março) está para o Brasil. São as férias de verão ou “sommerferie”.

Como no Brasil, aqui nada funciona muito como é de costume durante o verão, com a diferença de que na Noruega a lentidão é oficial. Linhas de ônibus são reduzidas, serviços públicos funcionam meio período e tudo que não é turístico funciona a passos de tartaruga. A força de trabalho pode ficar reduzida a 10% pois todo mundo está de férias – provavelmente na Espanha. Paulista vai pro Guarujá, Carioca vai pra Búzios e norueguês vai para Mallorca. Já prometi pra mim, que assim que meu visto sair, como ato de “boa aceitação da cultura alheia” vou passar meu verão lá. Serão días muuuuuuito difíceis.

Ainda não tenho visto e estou longe de ter deixado minha brasilidade de lado, por isso minhas férias – a do Bjørn na verdade – vão ser agora em agosto e, infelizmente, em Oslo.  Aceito desde já dicas de lugares para visitar e já deixo aqui a noticia oficial de que vou ficar duas semaninhas fora. Avisando só pra ninguém achar que fechou de vez esse blog e com promessa de na volta ainda ter mas dicas sobre viagem e lugares legais.

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Road trip para Voss e Eidfjord

“Bergen é a porta de entrada dos fiordes noruegueses” é o que vai te dizer todos os guias. De fato é daqui que partem muitos barcos e cruzeiros navegando em busca das grandes montanhas de gelo. Outra opção para conhecer os fiordes  é uma viagem muito conhecida dos turista, Noruega numa Casca de Noz,  que você pode escolher sair de trem de Bergen até Voss e depois um ônibus até Gudvangen e aí o cruzeiro até Flåm ( no site você pode escolher e montar muitas opções).

ROAD TRIP

Road Trip

Road Trip

 

Meus pais fizeram essa opção indo até Oslo, e apesar do frio, acharam tudo muito lindo. Por isso decidimos alugar um carro, que é muito em conta por aqui, e dirigir até Voss.  A sensação é de fazer Rio – Petrópolis: 90 minutos de lindas paisagem mas sem as inúmeras curvas.

 

Voss

Voss

Voss

Voss

 

VOSS

Voss é uma cidade bem pequena, micro até, e o que mais tem para fazer são atividades ao céu aberto como rafting, caiaque, parapente e claro esquiar. E é lá que fica também a Voss Brygerri, a micro cervejaria local, deliciosa by the way.

 

Treino de parapente.

Voss – Treino de parapente.

 

Confesso que nada foi planejado e como nunca tinha ido, fiquei perdida sem saber o que fazer e só ficamos de turistas, passeando e tirando fotos. Vale acrescentar que o mundo é de um tamanho de uma azeitona, enquanto almoçávamos  encontramos um casal de Bergen –  brasileira e norueguês – e que o rapaz já tinha conhecido a mãe do Bjørn, no avião, quando ela vinha do Rio para Bergen. Mundo pequeno ou não?

EIDFJORD

Seguindo nossa viagem, aceitei a dica de uma amiga e seguimos para Edifjord, mais uns 40 minutos de estrada. Preciso confessar para vocês: que paisagem de tirar o fôlego! Eidfjord é menor ainda que Voss, e até agora não sei o que tem para se fazer lá a não ser admirar a paisagem. Ela é umas das cidades que você vê em foto, quase uma praia no fim do encontro dos fiordes.

Eidfjord

Eidfjord

Hotel Eidfjord

Hotel Eidfjord

 

E culminado com a vista linda, 19ºC , sem vento e uma cerveja gelada. Quando você vem morar em lugar frio, o que mais se dá valor é o sol esquentando sua pele. E assim ficamos. Passamos o resto da tarde/noite sentados no Quality Hotel & Resort Vøringfoss e só curtindo o sol e a paisagem.

 

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Meus pais curtindo o verão norueguês!

Bjørnfjord

Bjørn ❤

Eidfjord

Meu pais

 

Pegamos a estrada para casa já eram quase 22h e a vantagem do verão é que voltamos com o sol se pondo ainda. Foi uma viagem cansativa, até porque erramos o caminho na volta, mais por falta de atenção do que por falta de placas, mas muito recompensadora. Além da vista linda ainda vimos alguns animas selvagens, como cervo.

 

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Vista da janela

 

E se você quiser ver mais fotos, pode dar uma passadinha lá no Flickr que tem mais coisa lá!

DICAS

Por ser perto de Bergen, optamos por alugar um carro e fazer uma bate-volta, ao invés de ir de trem/ônibus e passar a noite em uma dessas cidades. A estrada é bem sinalizada e mesmo sem um mapa decente conseguimos nos achar direitinho. A dica é prestar atenção nos pedágios. Aqui todos os carros tem um chip e eles mandam a conta do pedágio para sua casa, você não paga na hora. O valor final pode ser uma surpresa. Existem muitos pedágios dentro das cidades, que normalmente são baratos e os interestaduais são mais caros. Não é muito para os norueguês, mas para quem tá de férias aqui pode ser uma surpresa inesperada.

Outra dica é prestar atenção quando você estacionar. Sempre procurar a máquina de pagar o estacionamento e colocar o comprovante no carro. Poucos estacionamento você paga na saída. Acredite, você não quer correr o risco de levar uma multa. Você até pode recorrer, mas uma vez que você aceita dirigir em outro país você assume que conhece as leis de transito locais.  fuén!

A ultima dica é botar a mão no bolso e ir até o hotel de Eidfjord, passar a noite num dos quartos de frente para o fjord e aproveitar por do sol da varanda. Deve ser encantador. Sobre hospedagem em geral, tanto em Voss quanto Eidfjord existem opções mais baratas com Airbnb e muitos espaços para acampar.

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O verão de 2015 – aquela quinta-feira.

Quase um ano depois fico impressionada como eu me adaptei a condições climáticas, gastronômicas e linguísticas. Ainda tenho muito caminho pela frente, mas é com um passo que se começa.  Meu mantra sempre foi “quando passar o inverno, digo o que acho dessa cidade”. E aí passou o inverno: neve, dias frios e cinzas como a gente vê na TV.

E no outro dia chegou a primavera. A neve derreteu e o verde apareceu de novo; as plantas floresceram e você jura nunca ter visto tantas cores na vida. Os dias passam, as flores começam a murchar e quando percebe você sai de casa só com um casaco e pensa, “o verão está chegando, eu posso sentir”. Sabe nada inocente!

E o verão veio. Foi numa quinta-feira. Chegou na hora e, quando todo mundo embriagado de verão, ele saiu a francesa. Dizem que ele mandou beijo para todo mundo e que ia voltar.

É isso, o verão de 2015 é como aquele cara lindo que todo mundo quer pegar. Quando ele chega na festa to do mundo vê, mas ninguém vê ele indo embora. Mas a festa continua, mesmo sem a mesma graça, só por que ainda tem bebida. E semana que vem alguém vai dar outra festa e você acaba indo porque, vai que ele aparece de novo?

E assim tem sido os finais de semana. Sempre um churrasco na manga esperando o sol chegar. Quando ele chegar estaremos preparados, mas se ele não vier, nós nos divertimos!

Nunca vou me esquecer do verão de 2015, caiu numa quinta-feira. Coloquei o biquine e peguei um bronze, mas como não tirei foto, você vão ter que confiar na minha palavra.

A conclusão que eu cheguei é que o verão de Bergen é igual ao inverno do Rio. Lenda.

Mas não importa se o dia está cinza, se a temperatura não passa dos 15ºc e se até tem chovido bastante. É verão! Tá dizendo nos jornais, na TV e todas as lojas estão com promoção de verão! Estamos aproveitando o verão antes que ele acabe. Agosto tá chegando e já já alguém fala “the winter is coming” e aí não tem mais volta.

No próximo post vou contar um pouco sobre um passeio de carro que fiz quando meus pais estavam de visita. Eidfjorn é um dos lugares mais lindo que já vi por aqui.  Fica uma provinha de lá!

Eidfjord - Hordaland

Eidfjord – Hordaland

Noites de Verão

Meu marido já escrachou no facebook e quase zerou a internet. Já falou para todo mundo o que eu só reclamava no ouvido dele (e de mais algumas pessoas aqui) e agora não dá mais agora não dá mais para esconder de ninguém.

Não aguento mais ouvir a Gabriela Hovland reclamar que sao 22h da noite e esta sol la fora! Eh todo dia a mesma ladainha! ‪#‎reclameinofeice‬

Ontem foi o primeiro dia de verão. E por estarmos em Bergen isso não significa sol e calor. Por enquanto só quer dizer mais chuva. Apesar d’eu estar exagerando um pouco, eu não estou. O sol de fato não deu as caras e de fato está chovendo mais do que o normal por aqui. Quando você acha que não pode chover mais na cidade que mais chove na Europa, a vida te surpreende! Deu até no jornal: Bergen bate recorde de chuva!

Como carioca é até um pouco surpreendente como eu já me acostumei com a chuva. E mesmo que o sol nem o calor tenham chegado aqui ainda, os dias rapidamente ficam mais longos. De repente já não escurece mais as três. Aí do nada você nota que você esta jantando, as 17h, e ainda tá claro. Os primeiros dias com sol até as 21 h é demais! Você acha engraçado a diferença, faz piadas e planeja happy hours na cidade.

Aí o sol vai demorando mais e mais para se pôr e de repente o céu ainda está azul as 24h. No fim de semana é incrível, você tá no barzinho e acha que “a noite” nunca vai ter fim. da sua vida. E se a cerveja não fosse o olho da cara você ia beber até acordar em outra cidade sem nem ter visto estrelas! Porém chega domingo e você tem que trabalhar no dia seguinte,  mas primeiro você tem que dormir! Como se ainda esta claro lá fora? E não é claro fim de tarde, é claro tipo 16h! Para mim é uma eterna sensação de cansaço: o dia não acaba!

Durante 30 anos meu cérebro entendeu que noite = dia acabou. Então entre 17h e 23h é uma loucura na minha mente. No Brasil eu sempre tinha uma ideia de que horas eram mesmo sem olhar o relógio: se começou a escurecer são umas 18h, se já faz um tempo que escureceu talvez sejam umas 20:30 / 21h. Aqui não tem um degradê da luz solar que você vai entendo que dia esta acabando e por isso relógio interno está uma loucura, acho que de alguma forma me guiava mais pelo sol do que imagina e agora eu to fudida lascada. Eu que já precisa de tapa olho para dormir, agora lá pelas 20h fecho todas as cortinas da casa para tentar enganar meu cérebro.  Em breve me adapto, mas até lá Bjørn não aguenta mais me ouvir comentar/reclamar que “são 22h e tá sol lá fora”. Na verdade agora já é “são 23h e ainda tá sol lá fora”.

#prontofalei #desabafo #xatiada

 

Melhores da Semana – 22/05

Já é sexta-feira? Alguém segura esse relógio, pelámordedeos!

Essa semana passou muito rápido e foi super produtiva. Teve post todo dia e o blog está ganhando novos parceiros e novos caminhos estão sendo descobertos. O mundo não vai mudar por isso, mas me dá mais respiro para continuar escrevendo.

Sem mais delongas, os melhores da semana!

1-  Nasjonaldag – 17.mai

O maior evento da Noruega também foi sucesso na página do Facebook.  O dia Nacional da Noruega, que na verdade marca o dia da constituição norueguesa, deixou todo mundo curioso para saber mais como eles comemoram essa data.

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O orgulho do país fica evidente quando você está na rua e a maioria estão usando bunads, as roupas tradicionais.  É realmente uma grande festa que eles adoram celebrar e o fazem por livre e espontânea vontade. O desfile é organizado pelas pessoas e pelo o que entendi com pouca intervenção do Estado.

Você pode ler mais sobre o 17.mai nesse post aqui que falo mais do contexto histórico do dia ou nesse outro aqui que falo mais da festa em si e da minha experiência de fazer parte dela.

2 – 10 Curiosidade Sobre a Noruega

A Época Negócios tem um coluna chama “Ares do Norte” na qual publica textos sobre tecnologia e inovação na Escandinávia. Por conta do 17.mai, a coluna escrita por Lígia Krás, dedicou a semana para homenagear a Noruega com publicações diárias.  O que fez mais sucesso foi o sobre 10 curiosidades do país:

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1. Os mais altos impostos do mundo. O melhor IDH do mundo

2. A Noruega é o melhor lugar do mundo para ser mãe

3. Está na Noruega a prisão mais humana do mundo

4. A cidade mais chuvosa da Europa fica na Noruega

5. Uma das sociedades mais avançadas em igualdade de gênero no mundo

6. O primeiro país a desativar rádios FMs no mundo

7. O maior túnel rodoviário do mundo está na Noruega

8. Por que você deveria conhecer Tromsø?

9. O que esses famosos tem a ver com a Noruega?

10. Ateísmo e confiança

Quem acompanha o blog já sabia de algumas dessas curiosidades e se ficou curioso é só clicar aqui para ler o resto. Vale a pena ler também os outros arquivos, tem sobre cerveja, música e mais um monte de outros assuntos.

3 – Parceria Feliz

frogfjord

O post já tinha aparecido no facebook em inglês e até compartilhado por algumas pessoas. Porém o texto era tão bom que achei que merecia ser traduzido para português pois vejo muitos, tipo, MUITOS, que reclama de morar por aqui, da vida, do trabalho, das pessoas… Sem dúvida que não dominar o norueguês fez meu inglês melhorar bastante, mas ainda tem muita gente que não domina a língua e como esse blog é todo em português achei que mais justo compartilhar na minha língua. Falei com a dona do blog e ela adorou a ideia. Então quem domina o inglês pode acessar o blog dela, a frog in the fjord,e ter a certeza de texto pertinente e até engraçados. Quem ainda sofre um pouco com  inglês, pode clicar aqui e ler a tradução do texto dela “Como ser um imigrante feliz na Noruega”.


BÔNUS! BÔNUS! BÔNUS!

Achei que meus 15 seguidores fiéis merecia um dica especial para o final de semana, antes dos meus seguidores do facebook.

Eu adoro cozinhar, mas minha mão sempre foi mais pra salgado do que doce. Sempre que fazia um bola aqui tinha alguma coisa que não dava tão certo. Ou solava ou o gosto ficava ruim,mesmo receitas que já tinha feito antes. E um bolo inteiro para duas pessoas é sempre muita coisa. Tinha, então, dois problemas: muito bolo meia boca para duas pessoas. Acabava sempre indo para os bolos, brownie, de caixinha. Só que aqui isso é uma vergonha TOTAL.

Essa semana no blog da Francinha Cooks, tinha uma receita de muffin, que já tinha comido e sabia que era bom, que decidi fazer aqui. Um receita fácil que farias 12 bolinhos! Um quantidade mais do que suficiente, mesmo que não desse certo. Desde então já fiz 3 vezes, com sabores diferentes e todas as vezes os muffins ficaram UMA DELÍCIA!

Tem o de  banana com amora e o de morango com limão siciliano que é o meu favorito! Testei até um sabor novo: maça com canela e ficou maravilhoso! Vou te dizer que é tão fácil quanto o bolo de caneca que vai no microondas!

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Ficou com água na boca? Tá esperando o que? Corre lá e faz um pra você! Fica pronto em 25 min! Depois me conta o que achou!

Ha det bra! Ha en god helg!

Como ser um imigrante feliz na Noruega.

Quando você pesquisa experiências de pessoas que foram morar em outro país você encontra de tudo: gente que se deu bem e que se deu mal, que passou perrengue, que amou, que odiou, que está feliz e que está triste. O que devemos tentar fazer é pescar um pouco de cada e tentar aprender com elas, mas sabendo que cada um é de um jeito e que cada experiência é única e não é por que aconteceu com uma pessoa que vai acontecer com você, mas também não é porque já aconteceu com uma que não vai acontecer com você.

Screen Shot 2015-05-20 at 17.04.25Numa dessas minhas diversas leituras encontrei o blog da francesa Lorelou, chamado A Frog in the Fjord. Os textos dela são bem elaborados, bem descritivos e de imediata identificação. Além do que ela é sempre muito positiva a todos os acontecimentos e peculiaridades envolvendo qualquer ação envolvendo adaptar-se à uma nova cultura. Volta e meia compartilho alguns de seus artigos no Facebook e  tem até um link para o blog dela aqui do lado, no Blogroll.

Como seus texto são na maioria em inglês, com muitos em norueguês (veldig bra!), achei que valia a pena traduzir em particular o artigo em que ela dá dicas de “Como ser um Imigrante feliz na Noruega. Mandei um e-mail para ela que rapidamente me respondeu a aprovou a ideia. A verdade que ela escreve que essas dicas para sermos imigrantes felizes, mas a outra verdade é que essas dicas servem para todo mundo levar uma vida mais feliz. O texto foi traduzido livremente por mim e tudo o que estiver “em itálico, negrito e entre aspas” expressa a minha opinião.


(This text is a translation of “How to be a happy immigrant in Norway?” fom the blog http://afroginthefjord.com/)

1. Aceite as coisas e as pessoas como elas são.

Aceite que aqui é um outro país com sua própria cultura. Claro, metade do quê os noruegueses fazem é novo e diferente para você, mas para eles esse é o normal. É o mesmo no mundo inteiro: pessoas fazem coisas de uma certa maneira e elas estão certas de que essa é a única e melhor maneira de fazê-la. Esse é o caso para os franceses, americanos, “brasileiros” etc… Eles talvez possam saber como os países vizinhos faça as coisas, mas para por aí.

Como um emigrante, você tem diferentes opiniões, claro. Você quer fazer coisas loucas como comer (…)“bolo no café da manhã, comer um prato quente no almoço e jantar as 8 da noite, assistir mais TV do que ouvir rádio e ficar cancelar um compromisso se o tempo estiver ruim” . Sai dessa, esse país é diferente. Caso você queira ser feliz vivendo aqui você precisa aceitar as coisas como elas são e seguir em frente ao invés de reclamar. Você pode mostrar (…)outros itens para comer do café da manhã além de mingau e cereal”. Eles podem achar estranho e você pode dizer ainda que é apenas diferente. Você não precisa julgar o que os noruegueses fazem só porque é diferente, eles podem julgar você de volta. Lembre-se: você não vai mudar a Noruega.

2 – Seja gentil com você mesma.

Isso pode ser um pouco duro, mas eu realmente acredito que umas das chaves para felicidade em geral é manter suas expectativas baixas. Isso também se aplica para Noruega da vida social ao tempo que você demora para aprender a língua. Você espera fazer 100 amigos no primeiro ano que você mudou para cá? Você realmente precisa de 100 amigos? Talvez 3 bons amigos seja melhor do que do que 100 conhecidos. Esse é um país onde as pessoas já fizeram seu amigos na escola e você esta 10 anos atrasado. Você esta aqui há dois anos e ainda não entende as propagandas no ônibus? Bem, você esta num processo de aprendizagem, tudo leva tempo então seja gentil com você mesmo. Você pode saber mais do que acredita. Você esperava ter um trabalho que se encaixasse exatamente na sua formação ou um trabalho no seu país dentro de um ano? Talvez você tenha que aceitar uma posição abaixo da sua, como uma solução temporária, e arrumar um trabalho melhor depois.

Definir metas rígidas para si mesmo pode ajudar, mas também pode te mostrar frustrações ao invés do processo que você fez. Se você tivesse se mudado para outro país as coisas seriam mais fáceis? Talvez não. A imigração é sempre difícil, e adaptação leva tempo. Leia também (em inglês) “Como ser fluente em norueguês ou morra tentando“.

3. Aproveite tudo que é tão especial para Noruega

Eu conheci tantos estrangeiros, especialmente europeus ocidentais, reclamando todo o dia sobre a Noruega, mas há certamente coisas que são melhor aqui do que onde você mora. Claro, as coisas são mais baratos no seu país. Mas, você tem fiordes no seu país? Sim, eu sei, tem mais opções de queijos e alimentos “(carnes, muitas carnes)” em geral no seu país. Mas tem rakfisk no seu país? Ou substitua rakfisk por qualquer comida norueguesa você gosta – kanellbolle”. Você pode não ficar aqui para sempre, então você precisa aproveitar  tudo o que há de tão especial e único aqui, como a licença maternidade longa, a natureza deslumbrante e cultura peculiar. Onde mais no mundo você pode desfrutar de tanta natureza tão perto de cidades? Foque também nas oportunidades, não apenas nos obstáculos. Veja também (em inglês) Como se integrar na Noruega.

4. Tenha sua própria opinião

Se você acabou de se mudar para cá, você pode procurar na internet e encontrar uma quantidade inacreditável de páginas, livros, blogs “(incluindo o meu e o dela)” que contam como é a vida na Noruega. Lembre-se estes são apenas indícios subjetivos para a Noruega visto através dos olhos de outra pessoa. Isto pode não ser a maneira que você vai ver e apreciar as coisas e as pessoas na Noruega. Generalização são perigosas, lembre-se que há diversidade na Noruega. Os 2 km² aonde você vive e as 30 pessoas com quem você interage, do o escritório ao caixa do supermercado, não representam os 5 milhões de habitantes deste país.

5. Saiba aonde você está.

Talvez você seguiu o seu amor, talvez você encontrou um emprego, talvez você fugiu do seu país em guerra, talvez você decidiu tentar a sua sorte e fazer algum dinheiro na Noruega. Eu identifiquei quatro razões para a imigração para a Noruega: Amor, Trabalho, Estudos e Guerra. Talvez você esteja aqui por um curto período de tempo e então tem ainda mais razões para aproveitar o máximo que puder enquanto estiver aqui. Você pode ter se apaixonado por um norueguês, mas isso não significa que você só deve se encontrar com amigos do seu parceiro. Faça a sua própria vida! Você pode não ter escolhido vir para a Noruega, mas isso não significa que você não deve aproveitar. (…) Se você quiser desfrutar das coisas aqui você vai precisar se esforçar mais. A menos que sua vida ideal seja tricotar sozinha na frente da TV, então você não vai precisar fazer muito esforço para socializar e integrar na sociedade norueguesa.

6. Seja você mesmo

Todo mundo está dizendo que você precisa comprar um esqui para ser um bom imigrante, e gostar de brunost, um tipo de queijo de cabra, marrom, que mais parece doce de leite, mas é queijo de cabra e comer knekkebrød, “um tipo de bolacha integral retangular”, todos os dias. Se você não gosta, não coma. Há muitos noruegueses que odeiam esqui, sentem repulsa pelo gosto de aquavit, “a cachaça deles”, e preferem deitar numa praia à fazer caminhadas por 9 horas em Jotunheimen. Eles só não gritam para o mundo, mas eu conheço muitos. Então relaxe, e seja você mesmo! Para mim, eu acho que ser feliz aqui requer um equilíbrio entre a vida norueguesa e vida/cultura da minha própria casa. Encontrar outros franceses, falar a minha própria língua, comer a comida da minha infância, reclamar sobre as coisas na Noruega que ainda são tão difícil para mim e rir sobre isso. Ninguém nunca disse que você deve abandonar a sua própria cultura e os amigos de casa para se encaixar. Eu conheço muitos imigrantes que fazem jantares para seus vizinhos para mostra-los sua própria comida e cultura. Quem disse que noruegueses não estão interessados em explorar novas culturas também? A melhor parte da imigração: trocas.

7. Saiba quando ir embora 

Se você sente que este país está fazendo você infeliz, porque há coisas aqui que não se encaixam​​com os seus próprios valores, com sua necessidade de sol, sua concepção de verão (que não inclui usar roupas de lã) e porque você odeia a natureza e caminhadas e montanhas. Então talvez você deve apenas ir embora. É como quando você vai fazer caminhadas na montanha, não há vergonha em ir embora antes de ter alcançado o seu objetivo (subir o Everest ou fazer da Noruega sua casa). Obviamente que isso se aplica aos imigrantes que tem uma escolha. Se você fugiu de uma guerra no seu país talvez não tenha muito a opção de voltar para casa tanto quanto um engenheiro holandês cuja empresa trouxe para trabalhar na Noruega por um altíssimo salário. Claro que existem situações mais difíceis do que outras. Para citar um comediante francês famoso comediante: Todos terão direitos iguais, mas alguns serão mais iguais do que outros (Coluche).

Se nenhum dos pontos acima lhe convenceu que existem maneiras de ser feliz na Noruega, pense nisso, você poderia estar em uma Goulag Siberian. E adivinha o quê, você não é. Está na Noruega, onde você tem os direitos trabalhistas, segurança social e vizinhos prontos para ajudá-lo se você precisar dele. Trata-se de ver o copo de água meio cheio, não meio vazio. Ninguém disse que a imigração era fácil, mas tente ao máximo para fazer o seu melhor. Eu fiz, e não foi fácil! Boa sorte!


Esse texto é maravilhoso e faz a gente para por um segundo e refletir sobres os motivos que fizemos a mudança. Nada na vida é perfeito, mas nem tudo tem que ser horrível. E por experiência própria, quando cheguei aqui era tudo  um ponto de interrogação dúvidas. Alguns coisas foram resolvidas, mas outras dúvidas surgiram e é assim que vida segue. Terminei uma parte do curso de norueguês e mesmo achando que não entendo nada, com certeza então muito mais do que quando cheguei. É mesmo como ela fala, de ser gentil com você mesma e dar valor ao que já foi conquistado.

Espero que vocês tenham gostado, e para os que falam inglês, sigam o blog dela que vale muito a pena!

Ha det bra!